
Publicado em 26 de Junho de 2026
Mais uma operação policial, mais um político do PT sob os refletores da investigação e mais um esquema de lavagem de dinheiro que usa o transporte público como lavanderia do crime organizado. A Operação Última Parada, deflagrada em São Paulo, não pode ser lida como um ponto fora da curva. Ela é o sintoma de um padrão incômodo que se arrasta há décadas e que parte da esquerda brasileira prefere tratar com uma deliberada miopia.
A prisão do vereador Senival Moura (PT), acusado de integrar o esquema da facção dentro da empresa de ônibus TransUnião, mostra a movimentação de cifras astronômicas: quase 200 milhões de reais bloqueados em bens, veículos e imóveis. O transporte coletivo, que deveria encurtar as distâncias para o trabalhador na periferia, surge mais uma vez como a artéria por onde circula o dinheiro sujo da maior organização criminosa do país. E dessa vez, segundo a imprensa, envolve até a máfia italiana. A defesa do petista lamentou o fato de ser “em período eleitoral”. Como sempre, a preocupação com a narrativa e a cara de pau caminhando juntas.
Recentemente, em maio, os desdobramentos da Operação Vérnix, que envolveram a influenciadora Deolane Bezerra e o uso de transportadoras, mostraram que o modus operandi do crime apenas se modernizou, mas a preferência pela logística de transporte continua idêntica. E tudo se conecta.
O roteiro, na verdade, é um velho conhecido da política. Mudam-se os personagens, mantém-se a estrutura. Em 2002, as engrenagens de Santo André e o assassinato do prefeito Celso Daniel já se entrelaçavam em denúncias no setor de transportes do ABC. Ainda hoje existem muitas sombras sobre o caso.
Anos depois, em 2019, escutas da Polícia Federal flagraram lideranças do crime interceptadas em conversas sobre terem “diálogos cabulosos com o PT”.
O que assusta no quadro atual não é apenas a ousadia dos criminosos, mas a reação institucional do partido. Há uma resistência histórica e sistemática em endurecer o jogo. O debate sobre classificar facções como organizações terroristas, por exemplo, empaca sempre nas mesmas bancadas. Essa rotulagem não seria mero simbolismo: ela ampliaria o poder de fogo de investigadores e asfixiaria o fluxo financeiro desses grupos. Evitar esse endurecimento traz uma pergunta incômoda: a quem interessa manter o status quo? Parece cada vez mais claro.
Enquanto o partido de Lula se perde em narrativas, a população paga a conta de um sistema corrompido. Milhões desaparecem na contabilidade paralela do crime e a resposta oficial segue o manual de crise de sempre: “perseguição política”, “fato isolado” ou “mera coincidência”. O problema é que, depois de tantas coincidências acumuladas ao longo de vinte anos, a tese da ingenuidade perde qualquer sustentação prática.
É preciso coragem para encarar a realidade sem filtros.
Existe um problema estrutural de permeabilidade, omissão ou conveniência entre setores da legenda e o avanço do crime organizado em São Paulo. Fingir que o padrão não existe só o fortalece. A Operação Última Parada é apenas o capítulo mais recente de uma história que o país precisa parar de ignorar, antes que as linhas que separam o poder público e o crime organizado, cada vez mais tênues, se apaguem de vez. E, mais uma vez, PT e PCC se encontram nas manchetes. A história mostra que não há nada de coincidência. O padrão se repete.