
Publicado em 21 de Junho de 2026
O brasileiro está cansado. Cansado de acordar e ser bombardeado por más notícias, de ver o país afundar numa polarização que não leva a nada e, acima de tudo, de esperar. A resposta a esse cansaço tem sido, através da sociedade, desligar a televisão, silenciar os aplicativos, fugir do debate político. Uma fuga que todo mundo já constatou o que os números confirmam.
Segundo a Reuters, 47% dos brasileiros afirmam evitar ativamente as notícias, bem acima da média global de 42%. Há alguns anos, quando a pergunta foi feita pela primeira vez, o índice era de apenas 26%. Em menos de duas décadas a parcela que prefere se alienar saltou de pouco mais de um quarto para quase metade. Para milhões, a razão disso é ver o seu país tão ruim, e seu futuro tão incerto, que a única saída é deixar de saber o que acontece. É uma rendição à desesperança.
Desde o retorno do Partido dos Trabalhadores ao poder, o Brasil mergulhou num ciclo de instabilidade que minou a expectativa de dias melhores. O governo Lula, que se vendia como uma redenção, entregou um Brasil mais dividido, mais pobre e mais ansioso do que o encontrou. A confiança nas notícias despencou para 36%, e isso não é acaso. É fruto de um governo que transformou a comunicação oficial em propaganda partidária e usa as instituições do Estado para perseguir opositores. Quando o cidadão não sabe mais em quem acreditar, para de tentar?
‘Nunca na história desse país’ a sociedade esteve tão dividida, e o PT insiste em alimentar essa polarização como estratégia de sobrevivência. A nação que se unia em torno de paixões, como a seleção numa Copa do Mundo, se transformou num país onde o “nós contra eles” passou a ser a única lógica possível. Sob o PT, até o futebol foi contaminado: cada vitória é lida pelas lentes da política e cada gesto de orgulho nacional vira “bolsonarismo” para a turma que odeia o Brasil. A esquerda cultiva a divisão do Brasil porque inimigos internos justificam a sua permanência no poder. Enquanto o brasileiro comum briga com o vizinho, o governo avança com sua agenda.
Os 47% que evitam as notícias não são preguiçosos nem desinteressados no futuro do Brasil. São apenas pessoas que, depois de anos de promessas quebradas, escândalos e crises, desistiram de se informar, porque acompanhar a política brasileira ficou pesado demais. Cresce no país o tipo de pessoa que a Reuters chama de evitador seletivo: profissionais e pais de família que, sobrecarregados, fogem de um noticiário que parece uma tragédia sem fim.
Enquanto outros países com números similares enfrentam crises pontuais, aqui no Brasil a crise é de identidade e de esperança. O PT chegou ao poder prometendo um “Brasil decente” e entrega um país que prefere se alienar a encarar a realidade que ele mesmo criou. O autoproclamado “pai dos pobres” governa para manter seus amigos no poder e para as centrais sindicais que vivem às custas do erário, enquanto o cidadão que só quer trabalhar e criar os filhos é tratado como massa de manobra ou, pior, como inimigo.
Evitar notícias pode ser sim uma defesa, mas é, também, a maior vitória do PT. A Copa de 2026 já está a todo vapor mas, ao contrário de 2002, dificilmente o país vai parar para torcer junto. Os 47% que preferem não saber o que se passa à sua volta são a prova de que a política da desesperança venceu, e deixar o cidadão desinteressado na sua própria pátria e futuro é exatamente o que o PT quer.