
Publicado em 26 de Maio de 2026
O grande conto de fadas do debate público nacional, repetido com frivolidade mordaz nos editoriais do jornalismo pasteurizado e nas mesas da Faria Lima, é que a atração submissa de capital internacional e a abertura total do mercado são a salvação mais provável — quiçá, a única disponível — da economia brasileira. Promete-se, com a gravidade postiça dos charlatães diplomados, que as isenções fiscais obscenas e o crédito subsidiado ofertados às multinacionais trarão o éden do pleno emprego e da transferência tecnológica. Trata-se de uma fraude intelectual gigantesca, cultivada para esconder o fato de que o país foi transformado em colônia de exploração.
A realidade exibe o oposto simétrico da propaganda oficial: enquanto o Brasil amarga recordes assustadores de recuperações judiciais — sintoma inequívoco de uma economia em decomposição —, o governo opera uma inversão psicótica, gerando empregos na China. O cinismo atinge raias inacreditáveis quando se descobre que grandes empresas, amparadas por incentivos estatais, passam a importar levas mensais de mão de obra chinesa para trabalhar em solo brasileiro.
Com a economia real em frangalhos, porque o ambiente é totalmente inóspito para a produção e pune quase que exclusivamente os setores produtivos do país, Lula, para sacramentar seu projeto de sociedade de duas classes, ainda fomenta uma dinâmica neocolonialista de economia transnacional: multinacionais chinesas vêm ao Brasil, constroem suas fábricas com estímulos estatais, acessam matérias-primas e o mercado de consumo brasileiro. Em contrapartida, não gerarem empregos, não compartilham tecnologia sensível e não atraem o desenvolvimento real para o país no longo prazo.
O cidadão brasileiro arca com os custos dos estímulos estatais, não recebe a possibilidade de ocupar postos de trabalho bem remunerados, enquanto o governo petista coleta impostos sobre o consumo de chineses e venda de carros, dividendos diplomáticos com o regime chinês e ganha uma multinacional como aliada para seu projeto de manutenção de poder.
Esse modelo neocolonial não é recente; é o desdobramento, uma fórmula mais refinada e adaptada da herança deixada pelos tecnocratas do antigo IPES e Consultec, como Roberto Campos e Otávio Bulhões, que consagraram o consenso de que o dinheiro estrangeiro possui virtudes milagrosas superiores à própria produção interna do país. O argumento tradicional de que “ao menos ficam os empregos” ruiu por completo diante da externalização da própria mão de obra industrial. O que se vê hoje é a consolidação de um neocolonialismo, uma espécie de arrendamento para a produção de potências estrangeiras em solo brasileiro, um arranjo de economia patrimonialista em que a elite progressista e o rentismo globalista dão as mãos para reduzir o trabalhador à indigência crônica, gerando uma massa de pedintes dependentes do Estado.
Com isso, o partido ganha aliados no exterior, interessados em sua manutenção no poder, enquanto o povo vai lentamente perdendo seus meios de reagir a essa tirania. O partido se fortalece, o sistema de produção nacional vai enfraquecendo enquanto a população é jogada na miséria econômica, sendo lumpemproletarizada ao menos na dimensão material. Independentemente das afirmações de grandes banqueiros e investidores, analistas ou assessores de investimento, o conto de fadas neoliberal destruiu a capacidade produtiva do Brasil e contribuiu para o aumento vertiginoso do poder petista.