Lula provocou, fracassou e o Brasil recebeu a conta

Publicado em 17 de Julho de 2026

Durante quase um ano, Lula soube que os Estados Unidos avaliavam novas tarifas contra produtos brasileiros. O processo correu à vista de todos, com consultas formais e prazos conhecidos. Não houve surpresa de última hora. O governo teve tempo para agir e terminou sem um acordo capaz de evitar a cobrança de 25% sobre milhares de produtos.

Trump assinou a medida. O maior responsável pelo fracasso brasileiro em evitá-la, porém, foi Lula. Cabia a ele conduzir a relação política e dar respaldo à equipe técnica. No mínimo, cabia não atrapalhar uma conversa que já era difícil. Fez exatamente o contrário.

Enquanto ministros e diplomatas tentavam manter alguma porta aberta, Lula falava para a própria militância. Chamou Marco Rubio de “anti-América Latina”, disse que o secretário de Estado não gostava do Brasil, respondeu à ameaça tarifária com “se não comprar de mim, vendo para outro” e, poucos dias antes da decisão, chamou Trump de “pirata”. Não era um comentarista em busca de curtidas. Era o presidente do país que tentava convencer Washington a recuar.

Essas declarações formaram um padrão de comportamento. Lula escolheu o confronto porque ele rende politicamente dentro de casa, ainda que enfraqueça o Brasil do lado de fora. Cada vez que os auxiliares conseguiam baixar a temperatura, vinha do próprio presidente uma nova provocação. Depois, o Planalto passou a divulgar listas de reuniões como prova de que havia feito sua parte.

Mas lista de reuniões prova pouco. Reunião existe para construir uma saída. Quando vira peça de defesa depois do fracasso, confirma apenas que a saída nunca veio. Ao fim de meses de tratativas, o Brasil recebeu uma tarifa nova e viu a relação com Washington se desgastar, enquanto autoridades americanas acusavam Lula de agir de má-fé nas negociações. Contabilizar encontros apenas mostra quanto se conversou sem sair do lugar. Esse é o saldo que interessa a quem produz.

Também foi irresponsável tratar o mercado americano como se pudesse ser substituído por uma frase. “Vendo para outro” pode funcionar em um discurso, mas não na vida de quem exporta. Empresas levam anos para conquistar clientes, adaptar produtos e obter certificações em cada mercado. Há contratos assinados e investimentos de décadas que não mudam de destino porque o presidente resolveu fazer pose de valentão.

O Brasil tinha argumentos para buscar uma solução melhor. Os Estados Unidos mantinham superávit no comércio de bens com o país, um dado que poderia ter sido explorado com mais habilidade. Havia espaço para ampliar exceções, negociar por setores e ganhar tempo. A tarefa era difícil e exigia prudência. Lula preferiu personalizar a disputa e transformar uma negociação comercial em espetáculo ideológico.

O custo vai muito além do Planalto. Ele chega aos setores que dependem do mercado americano e agora terão de rever planos, renegociar contratos e enfrentar um cenário mais difícil.

A imagem de grande negociador também saiu menor. Lula pode viajar e colecionar fotografias com líderes estrangeiros. O verdadeiro teste de um negociador acontece quando é preciso proteger um interesse concreto do país. Nesse episódio, o que entregou foi desgaste e uma desculpa pronta para transferir a responsabilidade ao outro lado.

A responsabilidade principal está no Planalto. Lula acompanhou o processo do início ao fim e sabia que seus ministros negociavam. Mesmo assim, escolheu aumentar a tensão e enfraquecer a posição brasileira. Agora tentará se apresentar como vítima de uma crise que ajudou a agravar. A tarifa foi assinada em Washington. O fracasso político de evitá-la foi construído em Brasília.

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