Era Normal e foi PROIBIDO! | MESA PRA DOIS

A IA escreve o seu texto, monta o seu slide e responde por você em segundos. Mas e se, no meio de toda essa facilidade, você estiver perdendo justamente o que te faz humano: o tempo de pensar? Neste Mesa para Dois, Carlos de Freitas debate com o professor Joel Gracioso a diferença — que quase todo mundo confunde — entre informação, conhecimento e inteligência.

A conversa parte de uma distinção incômoda: ter informação não é ter conhecimento. Informação se acumula; conhecimento exige interiorização, é assimilar a forma das coisas, entender o que elas são e por que são assim. A dupla separa os tipos de inteligência — a sensível e a intelectual, a prática e a especulativa — passa pela definição clássica (a capacidade da alma de ver e aderir à verdade) e pela virada de Kant, que prendeu o ser humano ao fenômeno e o afastou da coisa em si.

Daí vem o alerta que dá nome ao vídeo: vivemos na sociedade do barulho e do fast food mental, onde tudo tem que ser instantâneo. Com a inteligência artificial, o professor teme que o pensamento processual — aquele que precisa de maturação, meditação e tempo — seja sufocado de vez. Entram na conversa a tirania do registro e do cancelamento (hoje é proibido errar, rever, se arrepender), o imediatismo de quem vive de internet e precisa opinar sobre tudo por likes, a soberba do erudito que leu tudo e passou a se achar dono da verdade, e a volta da prova oral como o único jeito de saber se alguém entendeu de verdade ou só decorou.

No fim, a saída proposta é simples e antiga: voltar a contemplar. Silêncio, vida interior, ler pouco e bem, meditar sobre o que se leu. Como lembrava Tom Jobim, o ouvido de dentro não tem nada a ver com o ouvido de fora. Compartilhe com quem anda vivendo no automático e precisa parar pra pensar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *