
Publicado em 18 de Junho de 2026
A origem do esquema do Banco Master tem nome, partido e uma sequência clara de decisões políticas tomadas na Bahia. A nona fase da Operação Compliance Zero mirou o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima. Ambos são alvos. As conexões são diretas: Jaques Wagner era amigo de Augusto Lima. Foi Augusto Lima quem levou o negócio do Credcesta para dentro do banco de Daniel Vorcaro. E foi Rui Costa quem primeiro privatizou a Empresa Baiana de Alimentos e, depois, por decreto, garantiu a exclusividade de 15 anos para o Credcesta na folha de pagamento dos servidores públicos baianos.
Essa sequência foi uma construção política e, aparentemente, uma grande ação entre amigos. O governo do PT na Bahia criou as condições para que o Credcesta se transformasse em um ativo de alto valor e baixo risco: sem calote, com desconto em folha. Deu exclusividade por decreto, protegendo o modelo e o banco de Daniel Vorcaro. O resultado foi um esquema que cresceu às custas do endividamento de milhares de servidores públicos.
O desenho dessa operação revela como a máquina pública estadual foi utilizada para blindar o capital privado. Ao conceder uma reserva de mercado de uma década e meia, a gestão petista na Bahia eliminou qualquer concorrência e entregou de bandeja um público cativo de trabalhadores do Estado. Esse funcionalismo, que dependia da antiga estrutura da EBAL para o sustento básico, viu a rede de alimentos ser desmantelada para dar lugar a um balcão de empréstimos compulsórios. A liquidez do banco foi inflada artificialmente por meio de descontos compulsórios direto na fonte, garantindo lucros extraordinários e previsibilidade absoluta para os cofres de Daniel Vorcaro.
Agora, quando a Polícia Federal avança sobre o esquema e chega ao líder do governo no Senado, a jornalista Mônica Bergamo não perdeu tempo e avisou que Lula ensaiava sua explicação. Por que preparar uma narrativa de “eu não sabia de nada”? Porque sabia que tinha algo errado. A pressa em construir uma versão defensiva antes mesmo que as investigações cheguem mais fundo já demonstra que o Planalto acompanha o caso com preocupação. O Palácio do Planalto entrou em modo de contenção de danos, ciente de que as digitais da cúpula partidária estão impressas na gênese do negócio.
Talvez a preocupação maior de Lula seja a reunião secreta entre ele e Daniel Vorcaro — encontro que só foi admitido publicamente depois de ter sido descoberto. A verdade é que o PT não foi espectador nesse processo. Ele foi o arquiteto. Privatizou a EBAL, garantiu por decreto a exclusividade do Credcesta e manteve proximidade com os principais beneficiados da operação.
As agendas ocultas e os encontros fora do radar oficial confirmam que a relação entre o banco e o poder central pode ir muito além de meros encontros. A conferir.
Diante da ação da Polícia Federal, fica claro porque a engrenagem governista tentou se afastar do problema e acusar a oposição, buscando transferir a culpa e desviar o foco do verdadeiro núcleo do escândalo.
Como sempre, eles tentaram esconder. Tentaram jogar a culpa nos outros. Mas as conexões são claras: Jaques Wagner, amigo de Augusto Lima, que levou o Credcesta para o banco de Daniel Vorcaro, com exclusividade garantida por decreto por Rui Costa. O Master é do PT.