
Publicado em 07 de Junho de 2026
Poucas coisas são tão repugnantes para um ser humano alfabetizado e munido de um mínimo de bom senso quanto os editoriais e artigos de opinião da grande mídia nacional. É tragicômico que tais veículos ainda sejam assim chamados, mas, por serem as marcas e instituições de mídia mais influentes, ainda cabem nessa categoria. Para que tais editoriais e artigos de opinião sejam articulados, é preciso somar a empáfia típica da elite semiletrada à brutal desconexão com a realidade do Brasil, além, é claro, da típica desonestidade de quem espreme um fato até obter dele o extrato desejado.
Para se ater a um exemplo concreto, serve como amostra o editorial do Estadão: “A soberania sequestrada”. O editorial argumenta que Trump e a família Bolsonaro entregaram a Lula a pauta da soberania como grande trunfo eleitoral. E que o PT, usando esse trunfo, há de rotular todos os opositores como entreguistas. O editorial diz ainda que a classificação de facções criminosas como terroristas, ou mesmo a ameaça de novas tarifas diante das investigações da Seção 302 da Lei de Comércio dos EUA, pode devolver a Lula a pauta da soberania. Esse é o nível de cinismo com que a mídia brasileira vem operando desde o mensalão.
Como é possível que Lula pareça minimamente coerente falando sobre soberania nacional, levando em consideração não apenas sua filiação ao Foro de SP, mas sua ostensiva e pública atuação para fazer avançar a agenda bolivariana do grupo? O mesmo Lula que foi parabenizado pelas FARC por sua vitória eleitoral em 2006, que destruiu a imagem brasileira de liderança natural da América Latina enquanto tentava proteger Nicolás Maduro, agora capturado pelos EUA, e usou dinheiro público para obras de infraestrutura em países governados por aliados do Foro de SP.
Sem mencionar sua subserviência para com a China, que está lentamente sujeitando o Brasil a obrigatoriedades regulatórias exigidas para que compras sejam efetuadas, ou a agenda de transição energética que recebeu de Paul Polman para atender a interesses corporativos totalmente alheios aos interesses econômicos do país.
Lula só pode posar como defensor da soberania nacional diante da omissão de muitos fatos. Para manter sua pose de soberanista, é preciso praticamente fraudar sua história, filiações e ações políticas. E isso só é possível porque a grande mídia resolveu fazer parte dessa fraude teatral. Sem a discrição e anuência da grande mídia, seria impossível esconder a conduta lesa-pátria do petista. Se a grande mídia nacional resolvesse contar a história de Lula desde a fundação do Foro de SP até seu terceiro mandato, seria impossível sustentar a imagem de defensor da soberania nacional.
Os efeitos da postura entreguista de Lula são visíveis e perceptíveis para qualquer cidadão com um mínimo de honestidade intelectual: o Brasil está socialmente fraturado, beirando a falência como uma instituição que foi sistematicamente roubada, perdendo lentamente o controle de seu território para facções criminosas que já têm orçamentos bélicos que ultrapassam os de pequenos Estados. O país parece uma nação que construiu soberania? Que foi governada por um estadista que tem esse tipo de zelo e preocupação? Lula e a mídia podem tentar emplacar a narrativa que bem entenderem, mas o fato é que a realidade já fala alto demais aos ouvidos brasileiros.