A soberania das facções?

Publicado em 04 de Junho de 2026

A crise de segurança pública no Brasil não pode ser classificada como um problema natural e administrável de um país de terceiro mundo, onde vítimas da desigualdade social acabaram ingressando no crime organizado por falta de oportunidades.

Trata-se de um problema geopolítico de soberania nacional, que pode envolver nações e blocos onde as facções criminosas sejam atuantes e causem instabilidade na segurança pública ou mesmo na política local.

Facções criminosas têm conexões internacionais complexas e comprometidas com a operação do grupo, orçamentos milionários e influência na política interna de países sobre os quais sequer temos informações precisas.

Mas, mesmo diante dessa crise, Lula tenta a todo custo rotular as investidas de Flávio Bolsonaro contra as facções criminosas como um ataque à soberania, uma traição à pátria digna de forca. Evocar a soberania nacional a partir da cúpula de um partido cujas decisões e fluxos de subsídios estão atados aos nós transnacionais do Foro de São Paulo e às diretrizes do Diálogo Interamericano é simplesmente tragicômico; falar em traição à pátria por parte de Flávio é praticamente uma inversão psicótica que cabe aos mais delirantes doentes mentais. Um agente político que passou décadas submetendo as Forças Armadas a humilhações e entregando a governança às cartilhas globalistas da agenda verde não posa diante dos olhos de todos como defensor do interesse do Estado soberano.

A alegação de que a classificação das facções como organizações terroristas por parte dos EUA outorgaria legalidade automática para intervenções militares estrangeiras é uma camuflagem retórica, um fetiche verbal desenhado especificamente para paralisar a reação de segurança e blindar as facções contra a investida de um Estado soberano que também precisa lidar com seus crimes.

Nem mesmo os militantes petistas compreendem os efeitos políticos de suas falas em defesa de uma suposta soberania nacional contra a classificação de facções criminosas transnacionais como grupos terroristas. Na prática, essa postura valida diante do eleitorado a reputação do partido como conivente com o crime organizado, retirando de um Estado soberano a legitimidade para combater o fluxo financeiro ilícito dessas facções em suas próprias instituições e território, além de insinuar que a diplomacia e o aparato estatal foram convertidos em instrumentos de salvaguarda dos interesses criminosos.

Quando uma facção criminosa adquire a capacidade de impedir a ação de agentes estatais pelo uso da força e mantém controle territorial por meio de regras, normas e tribunais próprios, ela passa a moldar ativamente a ordem política dos países onde atua. Esse modus operandi revela-se perfeitamente análogo, senão idêntico, ao de organizações terroristas.

A revolta diante da declaração de que essas facções são terroristas e a recusa em declará-las como inimigas públicas não são um erro de gestão, mas a aceitação de uma ordem supraestatal que esvazia a soberania nacional de dentro para fora, e transfere o núcleo de poder decisório para guerrilheiros faccionados. Inspirada na apologia do lumpemproletariado como vanguarda, a intelligentsia promoveu a glamourização moral do banditismo. E quem romantizou esses bandidos e promoveu o laxismo penal que garante a sua impunidade, não defenderia também a sua soberania?

Não está o PT defendendo a soberania das facções que controlam o território brasileiro?

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