
Publicado em 11 de Junho de 2026
Com o início da Copa do Mundo, o governo aciona a estratégia de pegar carona na união nacional para tentar estancar o seu próprio desgaste político. O plano do PT é usar o aparato das plataformas digitais e unificar narrativas para colar a imagem de Lula à Seleção, tentando tomar o verde-amarelo do bolsonarismo. A meta é transformar o torneio em um palanque digital.
O problema é que a velha tática de usar o futebol para abafar crises esbarra em um país muito mais cético e calejado. O marketing político não consegue fabricar o entusiasmo que o povo perdeu. O clima atual em torno da Seleção é de distanciamento, e a falta de ídolos de apelo unânime dificulta o plano do Planalto. O principal nome do time, Neymar, sofre ataques da esquerda desde as eleições de 2022, por ter se posicionado ao lado de Jair Bolsonaro. Sem paixão real nas ruas, o campeonato perde a força como ferramenta de distração.
A Copa deveria ser festa, churrasco, ruas enfeitadas, famílias reunidas e barzinhos lotados. Mas no Brasil real, de quem não vive na bolha do mercado financeiro, a realidade é outra. O país enfrenta uma dívida pública galopante, déficit fiscal crônico e uma inflação de alimentos que corrói o salário. A picanha e a cervejinha prometidas viraram “se está caro, não compre”. Com o endividamento batendo recordes e os juros do cartão de crédito nas alturas, trocar de televisão ou manter as contas no azul passou a ser um luxo inacessível.
Na segurança pública, o cenário é de medo. A Copa vai ter jogos mais tarde, mas o cidadão sabe que não dá para curtir a comemoração na rua ou no bar da esquina sem o risco real de ser assaltado. O avanço do crime organizado e o controle de territórios por facções evidenciam que o governo federal perdeu as rédeas. Enquanto a polícia atua engessada por diretrizes ideológicas, a criminalidade age sem freios. O resultado é o torcedor trancado em casa, longe do antigo clima de festa popular. Nenhuma vitória em campo aplaca a tragédia real do brasileiro.
Essa pressa em vestir a camisa canarinho e adotar um discurso improvisado de soberania revela apenas oportunismo. Depois de anos abandonando e criticando os símbolos nacionais em nome de uma pauta ideológica, a tentativa de contra-ataque agora parece artificial. Distribuir cartilhas para a militância inundar a internet com propaganda verde-amarela mostra um governo puramente reativo, que age pelo desespero do calendário eleitoral e pela total falta de realizações próprias.
Ao escolher a Copa como o principal cenário para confrontar a oposição, o Planalto confessa o seu próprio vazio de entregas. É a prova de que a gestão atual prefere o debate coreografado do estádio ao pragmatismo do gabinete, simplesmente porque não tem soluções para os problemas econômicos e sociais que ajudou a criar.
O futebol continua sendo uma paixão nacional, mas não cria empregos dignos, não equilibra as contas públicas e não protege o cidadão de bem. Quando o torneio acabar e os refletores se apagarem, o Brasil continuará exatamente no mesmo lugar, com os mesmos problemas estruturais que o PT insiste em empurrar com a barriga. Tentar transformar os gramados em amortecedor social só expõe a fragilidade de um governo que precisa do entretenimento para mascarar a sua incompetência, enquanto o povo continua levando uma goleada da realidade.