
Publicado em 29 de Maio de 2026
Dois brasileiros entraram na Casa Branca com semanas de diferença. O que cada um pediu diz tudo sobre o Brasil que cada um quer construir. Foi para expor exatamente esse abismo que um tweet do senador Flávio Bolsonaro ao Estadão se tornou muito mais que um questionamento sobre apoio, virou um confronto direto contra a narrativa que minimiza o drama real do crime organizado no Brasil.
Flávio foi aos Estados Unidos, entrou na Casa Branca, sentou com Donald Trump e pediu diretamente a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas transnacionais. Semanas antes, na mesma Casa Branca, Lula entregou argumentos para impedir que isso acontecesse, e em março seu governo recusou formalmente o pedido americano para designar as facções. O contraste é brutal. De um lado, quem quer sanções de verdade, bloqueio de contas e pressão internacional contra facções que controlam territórios, mandam em presídios e transformam a vida de milhões de brasileiros num inferno diário. Do outro, quem prefere manter o problema como “questão interna”, falando em soberania, enquanto o povo tranca a porta cedo e perde filhos para o tráfico.
Designar as facções como terroristas abre portas que esse papo de “problema interno” nunca abriu. E o pedido foi atendido: nesta quinta-feira, o Departamento de Estado, pela mão de Marco Rubio, classificou PCC e Comando Vermelho como terroristas globais, com a designação plena marcada para 5 de junho.
Aqui aparece o que muitos analistas já apontam como a raiz da resistência petista. No mesmo dia da designação, a Operação Fluxo Oculto desmontou seis fintechs e estruturas na Faria Lima que funcionavam como bancos paralelos do PCC, movimentando mais de R$ 26 bilhões. O sistema financeiro foi infiltrado, e a etiqueta de “terrorista” abre caminho para sanções americanas justamente contra quem lavou esse dinheiro. A pergunta que se faz necessária é: esses bancos estão do lado do povo ou do crime? E o governo que reluta em endurecer, governa para os bancos ou para o povo?
Lula escolheu o caminho oposto ao de Flávio ao continuar com a abordagem branda que, depois de anos, só deixou as facções mais ricas e mais armadas e culminou no governo recusando, em seu território, o que Washington fez assim mesmo.
E quando a designação saiu, a imprensa fez o que sabe: minimizou. Antes da reunião, sugeriu que Flávio voltaria de mãos vazias. Confirmado o encontro e anunciada a medida, o tom virou cobertura morna. A tentativa de diminuir o fato mostrou o jogo: esfriar tudo que fortalece a oposição. Parte da grande mídia ainda chama o avanço das facções de “questão social”, critica mais a polícia do que o terror diário do crime e suaviza o que incomoda a narrativa.
O brasileiro percebe. Cansado de virar estatística, ele sente a ausência do Estado e não quer mais saber de omissão. Existe diferença clara entre quem pediu pressão internacional contra o narcoterrorismo e quem pediu para não tê-la. Flávio escolheu a firmeza; Lula, a cautela que nunca entregou resultados e que, agora se entende melhor, talvez protegesse mais do que negligência.
A próxima eleição vai além da economia. O pleito mostrará quem tem coragem de dizer que o Brasil pertence ao Estado de Direito, não às facções. O crime não tira folga – trabalha 7×0. Os Estados Unidos já agiram; o Brasil não tem mais tempo para o faz de conta enquanto o povo vive sob o domínio do medo.