O epitáfio antecipado

Publicado em 1º de Maio de 2026

O governo Lula/PT viveu, nesta última semana, o que pode ser o epitáfio de sua terceira gestão: duas derrotas humilhantes no Congresso, revelando um Executivo esvaziado e incapaz de impor sua agenda autoritária. 

A primeira grande derrota foi a rejeição histórica à indicação de Jorge Messias ao STF – a primeira em 132 anos. A segunda foi a derrubada do veto integral de Lula ao PL da Dosimetria, que traz um mínimo de correção às penas desproporcionais aplicadas a milhares de manifestantes do 8 de janeiro.

O Planalto perdeu o controle do Legislativo. E a qual foi reação petista? Sem a menor vergonha, aliados já falam em colocar Messias no Ministério da Justiça. Parasitar o Estado virou método. É o PT de sempre: o cargo é o que importa, não a competência ou a liturgia republicana. O Estado não é instrumento de serviço público, mas um poço de recompensas para leais.

O governo gastou R$ 12 bilhões em emendas parlamentares em poucos dias para tentar salvar Messias. Liberou o que estava retido, fez promessas, pressionou e ameaçou. Não adiantou. O fracasso da estratégia de comprar apoio com dinheiro público ficou exposto.

Como as emendas não funcionaram, as ameaças de exonerações de indicados de partidos aliados voltam à tona – o velho ciclo vicioso: ou libera verba ou demite; demite ou perde apoio. É fisiologismo puro, sem disfarce. Lula critica o “sequestro” do Orçamento pelo Congresso, mas é o primeiro a usar emendas como moeda de troca quando precisa.

Diferente do que o Planalto e sua militância judicial tentam vender, a derrubada do veto à Dosimetria não é “impunidade”. É um remédio necessário para a injustiça cometida contra milhares de pessoas que apenas exerceram o direito de se manifestar. Havia vândalos no meio, claro, mas nunca ficou claro quem eram os verdadeiros responsáveis por eventuais excessos. Preferiram chamar tudo de “vandalismo” e “crime contra a democracia”. A Dosimetria não traz de volta a vida de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, que morreu na Papuda após meses de prisão preventiva desumana. Mas é o mínimo de justiça que se pretende: recalibrar penas desproporcionais, evitar que manifestantes comuns sejam tratados como terroristas enquanto criminosos de colarinho branco e corruptos serial ficam impunes. 

O PT transformou o 8 de janeiro em pretexto para uma caçada política seletiva. Hoje o Congresso disse basta a esse exagero.

Essas derrotas são o retrato de um governo que chegou ao fim antes mesmo de terminar o mandato. O PT reage com o mantra de sempre: “Congresso inimigo do povo”. Acusam os parlamentares de tudo, menos de exercer o poder que a Constituição lhes dá. Esquecem que foi o próprio governo que transformou Brasília numa feira de emendas e cargos. Quando o Legislativo resiste à nomeação de um aliado para o STF, vira “golpismo”. Quando corrige excessos de uma justiça politizada, vira “ataque à democracia”. A hipocrisia é constrangedora. Lula e o PT governam como se o Brasil fosse um feudo particular. Indicam quem querem para onde querem, usam o Orçamento como propina institucionalizada e, quando perdem, são vítimas perseguição. 

O Brasil assiste, exausto, a mais um capítulo dessa tragédia repetida: um governo que trata o Estado como patrimônio partidário e, quando o espelho devolve a imagem, culpa os outros pela feiura.

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