Quem tem medo da CPI do Master?

Publicado em 17 de Maio de 2026

Nada constrange mais o Palácio do Planalto do que um adversário que se recusa a aceitar o papel de acuado. Ao assinar requerimento e liderar o coro por “CPI do Master já”, Flávio Bolsonaro inverteu o tabuleiro e desmontou a armadilha. O que o PT desenhava como um cerco de desgaste contra o pré-candidato da oposição transformou-se no pior pesadelo dos “companheiros”: o risco real de uma investigação ampla, que pode ameaçar o núcleo do poder. 

O PT e a base governista ensaiaram um discurso de falsa indignação após os vazamentos do Intercept, mas parece que agora temem que a situação saia do controle.

Flávio não escondeu seus contatos com Daniel Vorcaro. Ao contrário, explicou de forma direta o objetivo: buscar patrocínio privado para o filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Não há dinheiro público envolvido, não há os caprichos ideológicos da Lei Rouanet, nem favorecimento estatal. Quem opera na legalidade, geralmente faz questão de mostrar onde está o joio e o trigo.

A reação da esquerda, contudo, obedece ao mesmíssimo manual de conveniência que o país já assistiu na CPMI do INSS. Quando o escândalo bate à porta do Palácio do Planalto, o verniz da moralidade derrete e costuma dar lugar à blindagem.

O caso das fraudes bilionárias na Previdência, aliás, é o espelho exato disso. Na CPMI do INSS, a maioria petista trabalhou em regime de plantão para rejeitar as convocações de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de Frei Chico (irmão do presidente) e da empresária Roberta Luchsinger — apontada como o elo central com o operador do esquema. Não satisfeitos em blindar os CPFs amigos, a tática de abafamento ganhou contornos ainda mais graves. O delegado Guilherme Figueiredo Silva, chefe da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da PF, avançou nas investigações para apurar o envolvimento de Lulinha. O inquérito foi realocado e o delegado substituído. No discurso o PT falava em “proteger os aposentados”, mas a prática entregou o oposto – barrando convocações, enterrando relatórios e afastando os investigadores que chegavam perto demais do núcleo do poder.

É com esse mesmo apetite seletivo que o governo tenta moldar a narrativa sobre o Banco Master. A máquina de propaganda tenta dirigir o foco em Flávio Bolsonaro, fingindo esquecer que as conexões de Vorcaro cruzaram os corredores mais influentes da República. Escondem as reuniões fora da agenda oficial com o Lula no Planalto, articulada por Guido Mantega, escondem o boom do Master com o consignado dos servidores baianos entregue de bandeja pelos governos petistas. 

O Brasil não suporta mais o jogo político de dois pesos e duas medidas, onde a lei serve para emparedar adversários e o Estado serve de escudo para proteger os “companheiros”.

Uma CPI séria não pode aceitar vetos ideológicos ou cortes seletivos. É preciso quebrar sigilos, rastrear contratos e convocar a todos, sem distinção de sobrenome ou proximidade com o poder. Flávio Bolsonaro já deu o passo à frente, assinou o pedido e desativou uma das armadilhas. Resta saber se o PT terá a mesma coragem de encarar a verdade ou se continuará sabotando investigações para salvar a própria pele. 

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