Para o Brasil vencer

Publicado em 23 de Setembro de 2026

O Brasil tem sido um palco para a tragicômica reviravolta dos valores de esquerda: a luta de classes em terras tupiniquins não é entre operários e patrões. É entre o lumpemproletariado — a massa marginal que a tradição marxista ortodoxa abominava — e a maioria da população, sobretudo a classe média, aí incluída parcela significativa do operariado, senão ele todo. Cada facção tem aliados permanentes. A primeira tem, acima de tudo, o governo e os partidos de esquerda que o dominam. Aí, mesclados, intelectuais acadêmicos e estudantes universitários. Destes, metade, em cálculo otimista, são analfabetos funcionais. Excluídos da alta cultura e sem ideia de que são vítimas de si mesmos, encontram no ódio projetivo à sociedade o alívio de uma culpa recalcada. Sentem afinidade instintiva com bandidos, drogados, narcotraficantes, profissionais do sexo e outros marginais.

Aliados do lumpemproletariado, aquela camada social situada abaixo do proletariado tradicional, são, ainda, as ONGs, as fundações bilionárias e os organismos internacionais, que impõem regras que inviabilizam a polícia e desarmam a população. Em seguida, a grande mídia, mesmo quando discorda do governo em ponto de interesse próprio, ecoa os critérios morais dos governantes — comoção seletiva pelo delinquente e silêncio quanto às vítimas ordinárias. 

Vêm, por fim, os patrões e burgueses como colaboradores ao menos passivos do governo que sustentam a política pró-lumpemproletária.

A outra facção política — o restante da população trabalhadora — conta com as mídias ditas “bolsonaristas”, um partido político que parece desconhecer o que se passa no Brasil e a massa de trabalhadores oprimida e insatisfeita com os rumos do país. Nada mais. Nada caracteriza melhor a situação do que a inversão das proporções: os nominalmente desamparados recebem todo o amparo do establishment, enquanto a classe trabalhadora se torna a imagem odienta do opressor burguês.

Mas não há apenas um conflito em que os lumpemproletários e a elite estão unidos contra a classe trabalhadora do Brasil. O governo tem feito um esforço hercúleo para rebaixar a classe trabalhadora à marginalidade — na qual esta pode ser recrutada para as trincheiras de sua revolução —, por meio do endividamento, das apostas, do domínio territorial do tráfico que facilita o processo de recrutamento e da romantização de condutas imorais.

Por isso, mesmo com o consenso social migrando para valores mais conservadores e criando repulsa diante de ideologias revolucionárias, as trincheiras lumpemproletárias mantêm-se sempre preenchidas, agora não por escolha, mas por força das circunstâncias criadas pela pressão do governo.

A vida se tornou difícil; a promessa da construção de uma utopia não atrai mais: apenas soluções para os problemas do dia a dia importam para o brasileiro que está sendo materialmente jogado na marginalidade.

E, para superar esse processo de empobrecimento e a aliança entre os marginais e o establishment, é preciso encarar com pragmatismo o primeiro turno da eleição majoritária deste ano.

Flávio Bolsonaro é o líder político e presidenciável que pode romper com esse ciclo de atraso e soltar as amarras com as quais esse consórcio amarrou o Brasil para manter-se no poder.

Para o Brasil vencer, é preciso enviar um recado à elite: deve-se romper com o ciclo de empobrecimento e com a instrumentalização da pobreza no país.

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