
Publicado em 23 de Maio de 2026
Pesquisas divulgadas nesta sexta-feira atingiram, como um vento forte, quem apostou na morte política de Flávio Bolsonaro. A Gerp mostra Flávio à frente no segundo turno: 47% contra 44%. O Datafolha registra 47% a 43%, empate técnico. Quem esperava um cadáver político depois do áudio de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro encontrou um candidato em riste.
A mídia inteira replicou esse não-escândalo como se fosse a queda da Bastilha. Alguns candidatos da “direita”, que teriam tudo a ganhar com um campo unido, empilharam lenha na fogueira. A AtlasIntel, também conhecida como Atlas Político, correu para decretar que Flávio perdeu 5 pontos no primeiro turno, sem que ninguém na grande imprensa mencionasse que a metodologia do instituto incluiu um aquecimento prévio do entrevistado, fazendo refletir sobre a aprovação do governo antes de perguntar em quem vota – em outras palavras, uma indução do entrevistado – mas nada disso virou manchete.
Dez dias depois, o saldo: Flávio variou um pouco no primeiro turno. Só que eleição se decide no segundo turno, e no segundo turno o cenário continua aberto em todas as pesquisas do dia. Mesmo na Futura, a mais desfavorável, a diferença é de 5,5 pontos com margem de 2,2 – quilômetros de distância do colapso que prometeram.
E por que não derreteu? Porque a nossa pretensa ‘intelectualidade’ política recusa enxergar o óbvio: o sobrenome Bolsonaro não é acidente eleitoral e sim o grande fenômeno popular das últimas décadas. Condenaram Jair, o prenderam, tornaram-no inelegível e imaginaram que o bolsonarismo morreria junto. Mas o sentimento que elegeu aquele homem em 2018 e quase o reelegeu em 2022 veio de um país farto de ser governado pelo mesmo partido, ouvindo a mesma retórica, colhendo resultados cada vez piores. Flávio é, hoje, o herdeiro desse sentimento. Quem não entende isso não entende o Brasil.
Enquanto a direita sem votos torce o nariz, vale olhar o que Lula oferece como alternativa: mais quatro anos do mesmo, depois de já ter governado o país por catorze dos últimos vinte e quatro. Se reeleito, o PT terá conduzido o Brasil por quase um quarto de século. Uma criança teria tempo de nascer, crescer e se formar na faculdade sem nunca ter conhecido outra coisa. O legado concreto do PT ao nosso país é uma dívida pública que superou R$ 10 trilhões em 2026 pela primeira vez na história, com o país pagando mais de R$ 1 trilhão só em juros por ano. Um Supremo Tribunal Federal onde Lula, somando os três mandatos, já indicou dez ministros, com a 11ª vaga em aberto depois que o Senado rejeitou Jorge Messias e a perspectiva de que o próximo presidente indique mais quatro. Dez ministros num tribunal de onze. Se isso não é aparelhamento, a palavra perdeu o sentido.
A candidatura de Flávio Bolsonaro, a esta altura, já deixou de ser sobre Flávio. A eleição de 2026 decide se o Brasil vai aceitar ser governado por um projeto de poder destrutivo durante um quarto de século, com um Judiciário moldado por ele, uma dívida que ninguém sabe como pagar e uma imprensa que faz as vezes de assessoria de comunicação do Planalto. Flávio é o candidato que carrega esse “basta”. Os números de hoje provam que o eleitor sabe disso, mesmo que os analistas e os histéricos de plantão prefiram fingir que não.