Em 13 de fevereiro de 2026, uma reunião extraordinária dobrou o preço-teto da energia no Brasil. Ninguém que estava naquela sala foi eleito por você.
O preço-teto é o número que define o máximo que o país aceita pagar por energia — ele existe para proteger quem paga a conta. Quem escreve esse número é o Ministério de Minas e Energia, por portaria. Quem aprova é a diretoria da ANEEL. Neste vídeo, o Estúdio 5º Elemento percorre o caminho que esse número faz até virar uma linha na sua conta de luz.
Em 20 de maio de 2026, o Ministério Público Federal recomendou suspender a homologação do leilão e registrou que os preços-teto subiram de 73% a 100% em menos de 48 horas, depois que o MME e a Empresa de Pesquisa Energética acolheram integralmente as planilhas enviadas pelas próprias empresas que iriam disputar. Pela mesma recomendação, o encargo que banca essa conta pode saltar de R$ 7 bilhões para R$ 51 bilhões por ano. Em 17 de junho, o Acórdão 1525/2026 do Tribunal de Contas da União confirmou os aumentos. O ministro Alexandre Silveira afirmou não ver “nenhuma ameaça” ao leilão e chamou o caso de desinformação — e a nota oficial do ministério anunciou o resultado como economia de R$ 33 bilhões ao consumidor.
O vídeo abre a porta da sala e mostra os nomes. O mandato do diretor-geral da ANEEL vai até 13 de agosto de 2027, no meio do mandato de quem for eleito em outubro. E Gentil Nogueira de Sá Júnior saiu de secretário Nacional de Energia Elétrica do MME para a diretoria da agência, aprovado pelo Senado por 45 votos a 2 — do ministério que escreve o teto para a agência que aprova o teto.
Depois a investigação vai para a água. Em São Paulo, quem determinou a redução da pressão no período noturno foi a ARSESP, não a empresa, e o presidente da agência assumiu isso no microfone da Assembleia Legislativa. O reajuste de 6,11% de janeiro saiu pela Deliberação 1.749 e foi exatamente a variação do IPCA. E a cadeira gira: Diego Domingues deixou a Secretaria de Parcerias em Investimentos para presidir a agência que fiscaliza as concessões que ajudou a estruturar, enquanto o presidente anterior, Thiago Mesquita Nunes, foi ocupar o cargo que ele deixou.
Na ponta, Porto Velho: água tratada para 30,74% da população, o pior índice do país, e um leilão de R$ 8,5 bilhões por 35 anos marcado para 29 de setembro — três dias úteis. Se o ministro, o contrato, o encargo e o preço-teto continuam mandando no seu bolso, quem governa de verdade? Compartilhe com seus amigos pra eles saberem quem assinou.