A imprensa inteira quer colar o caso Master no áudio do Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. Mas a reunião que realmente importa aconteceu fora da agenda no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024.
Naquela sala estavam Lula, Daniel Vorcaro (Banco Master), Rui Costa, Gabriel Galípolo (atual presidente do BC), Alexandre Silveira e Augusto Lima, ex-CEO do Master, hoje cumprindo medidas cautelares na Operação Compliance Zero.
Foi ali, segundo relatos atribuídos ao próprio Vorcaro em dossiê apreendido pela PF, que Lula aconselhou pessoalmente o banqueiro a NÃO vender o Master para o BTG do André Esteves — criticando tanto o “Dedé” quanto o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto.
O Master recusou o BTG e fechou em março de 2025 com o BRB, banco público do Distrito Federal sob aval explícito de Ibaneis Rocha. Pouco mais de um ano depois, o BRB carrega R$ 12 bilhões de rombo, briga por R$ 6,6 bilhões em “dias decisivos” para sobreviver e tem pedido de impeachment de Ibaneis já protocolado. O FGC desembolsou R$ 51,8 bilhões — a maior operação de ressarcimento da história do fundo, com 1,6 milhão de clientes afetados.
No Puxando o Fio dessa semana, Herbert Passos Neto, Arthur Machado e Kim Paim destrincham: a pesquisa-emboscada da AtlasIntel/Bloomberg que mediu “evidências de crime” do Flávio sem perguntar nada sobre a reunião Lula-Vorcaro no Planalto; a CPI travada por Hugo Motta e Davi Alcolumbre; a fala de Gabriel Galípolo no Senado isentando Roberto Campos Neto — espírito de corpo ou autoblindagem? — e a oferta do BTG por R$ 1 com taxa de gestão estimada em R$ 544 milhões ao ano via fees, com o risco bancado pelo contribuinte via FGC.
O áudio do Flávio com Vorcaro foi conversa sobre financiamento de filme. A reunião do Lula com Vorcaro decidiu o destino de R$ 12 bilhões do contribuinte. Qual delas merece pesquisa, manchete e CPI?
Compartilhe com quem ainda acha que o Master é problema do Flávio. O Pix é do Bolsonaro.
O Master é do Lula.