
Publicado em 12 de Março de 2026
Caso fossem documentados minuciosamente todos os episódios de defesa apaixonada de Lula para com bandidos e faccionados, certamente o cidadão comum seria tomado por um estranhamento, se não por um sentimento de hostilidade diante do atual presidente. O bandido que gera tanto sofrimento para a população é queridinho de Lula, um privilegiado, quase um aristocrata frente ao brasileiro comum, aparentemente rebaixado a cidadão de segunda classe, quase um escravo. A fotografia do governo Lula III — passando por comunicação, segurança e até economia — passa a impressão de que delinquentes, bandidos e apologistas de facções compõem uma nova aristocracia destinada a fundar um Brasil eternamente governado pelo PT.
Foi reveladora a reação do governo diante da possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas nacionais como grupos terroristas. A pergunta inevitável é simples: por que um governo que se diz defensor dos mais pobres teme tanto a internacionalização do combate a organizações que dominam territórios, impõem tributos paralelos e submetem brasileiros ao terror cotidiano? O ponto mais grave está no uso de minerais críticos como moeda de barganha diplomática para limitar a atuação americana, como se o problema central fosse a soberania abstrata e não a soberania concreta, já corroída há anos dentro do próprio território nacional.
Esse reflexo não parece casual. Ele se encaixa numa velha lógica de poder segundo a qual a criminalidade politicamente útil deixa de ser tratada como inimigo do Estado e passa a ser administrada como grupo político, desordem controlada e reconfiguração institucional. Na América Latina, essa lógica ganhou forma numa articulação continental montada para expandir influência, poder e projeto bolivariano após o colapso soviético. O Foro de São Paulo cumpriu o papel de coordenação, aproximando partidos, movimentos, governos e grupos armados sob a retórica comum do anti-imperialismo, da luta social e da integração regional. Não se trata de gerar uma cadeia mecânica de comando, mas de alinhar uma agenda política comum entre a criminalidade latina e partidos no poder.
Nesse arranjo de poder, as FARC ocuparam lugar decisivo, não apenas como guerrilha ideologizada, mas como elo entre discurso revolucionário, controle territorial e economia ilegal ligada ao narcotráfico. E essas mesmas FARC foram legalizadas como partido político após serem reconhecidas na ordem política como uma força social legítima, mesmo praticando delitos e com membros vivendo na ilegalidade.
Quando se analisa o que se passa no Brasil, a comparativa é quase inevitável: o cidadão de bem é tratado como obstáculo ao novo Brasil dos lumpemproletários, enquanto o criminoso é tratado como novo aristocrata, como fundador de uma nova pólis.
E, para manter a salvo essa nova casta aristocrática nacional, o PT estaria disposto a entregar terras raras aos EUA, sem sequer cogitar aproveitar esse ímpeto de exploração para tentar fundar uma indústria de refino no Brasil.
Enquanto no Brasil humoristas criam músicas para “meu amigo Flávio”, os amigos do atual presidente são os faccionados.