Ele é o sistema

Publicado em 07 de Maio de 2026

Luiz Inácio Lula da Silva resolveu, no pronunciamento do Dia do Trabalho, vestir a fantasia de antissistema. Acusou o “andar de cima” e a “elite que mantém privilégios” de boicotar seu governo e impedir avanços populares. Chegou a sugerir que, se dependesse desse “sistema”, nem a abolição da escravatura teria ocorrido no Brasil. É um discurso oportunista que ignora a matemática: quem reclama das elites hoje preside uma Dívida Pública Federal que atingiu R$ 8,633 trilhões em março de 2026, sustentando o mesmo modelo financeiro que ele afirma combater.

A desconexão com o Brasil real é traduzida em números de ostentação. Enquanto a economia patina, o governo gasta como nunca: R$ 1,4 bilhão em cartões corporativos entre 2023 e 2025, frequentemente sob a sombra do sigilo. A diplomacia da “ostentação” também cobra seu preço, com gastos de viagens internacionais que já encostam na marca de R$ 1 bilhão. Até maio de 2026, o presidente acumulou 154 dias no exterior em 44 missões, mas é a primeira-dama, Janja, quem lidera o tempo de ausência: 177 dias fora do país, evidenciando uma rotina de privilégios inacessível ao trabalhador que financia a máquina.

O próprio Lula, em um recente momento de rara honestidade na Espanha, confessou que a esquerda “se tornou o sistema”. Admitiu que governos progressistas se renderam à austeridade e ao neoliberalismo em troca de governabilidade. Poucos dias depois, tenta resgatar a pose de rebelde para o público interno. Puro cinismo político. O “sistema” que Lula denuncia hoje é o mesmo que o blindou por décadas e que agora ele alimenta com cargos, emendas bilionárias e o controle das instituições.

Quem governa o Brasil há mais de 12 anos não consegue sustentar a aura de forasteiro. Lula convive com suas estruturas há décadas. Se no passado o PT foi marcado pelos traumas do Mensalão e do Petrolão, hoje novos fantasmas batem à porta do Planalto. O escândalo envolvendo o Banco Master surge como um fio condutor que une o DNA do partido a métodos controversos de financiamento e influência. O “ovo da serpente” do Master foi chocado na Bahia, onde o programa Credcesta ajudou a projetar a instituição financeira para um patamar de influência nacional.

A sombra dessas relações se aproxima perigosamente da família presidencial. As investigações da Polícia Federal sobre fraudes no INSS, que drenam justamente o sustento de aposentados, trazem à tona a ligação do chamado “Careca do INSS” com o filho do presidente. Depoimentos de ex-funcionários mencionam uma suposta “mesada” milionária destinada a Lulinha, além de suspeitas de que ele atuaria como sócio oculto em negócios ligados ao operador do sistema. Enquanto o pai prega contra a ganância dos bancos, as relações pessoais da família sugerem um trânsito livre entre aqueles que lucram com as facilidades do Estado.

Lula não é um outsider combatendo as elites; ele é a elite política brasileira em sua forma mais acabada. É o estadista que prefere o conforto dos jatinhos e hotéis de luxo internacionais à solução das filas do INSS ou ao controle da inflação que corrói o poder de compra. Aos 80 anos, sua luta não é contra as engrenagens do poder, mas para garantir que ele continue sendo o seu principal operador. O povo, cansado de financiar esse projeto de permanência, já percebeu que a mudança real não virá de quem tem a chave do sistema.

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