Companheiro bom é companheiro calado

Publicado em 18 de Outubro de 2026

O PT é especialista em espalhar mentiras sobre os outros e esconder a verdade sobre si mesmo. Quando alguém do próprio círculo resolve falar, começa a desqualificação. A pessoa que servia, apoiava e frequentava o ambiente passa a ser tratada como alguém em quem ninguém deveria acreditar. Com Roberta Luchsinger, Lula já havia preparado o terreno: chamou-a de “pilantra” e a comparou a Vorcaro. Em entrevista à CNN, ela reagiu e disse que pretende fazer uma delação premiada.

O PT conhece o estrago que alguém de dentro pode causar quando resolve falar. Quem acompanhou conversas, apresentou pessoas e participou de encontros pode fornecer caminhos para uma investigação. Uma delação precisa de provas e confirmação. É justamente por isso que o anúncio de Roberta exige atenção: ela diz estar disposta a levar suas informações à Justiça.

A tentativa de desqualificá-la merece ser examinada à luz dessa disposição. Lula usou sua exposição pública para atacar o caráter de uma mulher investigada por relações que também alcançam seu filho. Roberta devolveu a pergunta que o presidente gostaria de encerrar no insulto: se ela era tudo aquilo, o que fazia cercada por pessoas daquele grupo?

Segundo seu relato à CNN, Lulinha se reuniu diversas vezes com ministros, e Lula sabia desses encontros. Ela também afirmou que integrantes do governo a procuravam para obter acesso ao presidente ou prioridade para projetos. São declarações que precisam ser confrontadas com registros, mensagens e depoimentos. Ofender a entrevistada não faz as perguntas desaparecerem.

A rede de proteção a Lula apareceu também na reação à entrevista. André Janones orientou apoiadores a ignorar o assunto e evitar engajamento negativo sobre o presidente. Explicou que eventuais respostas poderiam ficar na televisão e nos jornais, sem alimentar a circulação nas redes. A preocupação era impedir que mais gente tivesse contato com o conteúdo. Até uma defesa poderia levar alguém a assistir.

É assim que se conserva um público no escuro. O militante recebe material para atacar adversários e instruções para passar longe do que compromete o próprio lado. A campanha seleciona o que merece indignação. Ao eleitor fiel, cabe repetir e esquecer conforme a necessidade do dia.

O Planalto negou os relatos e afirmou que Lula jamais manteve interlocução com Roberta. A defesa de Lulinha também negou irregularidades. As negativas não autorizam a encerrar o assunto por ordem de campanha.

Roberta precisa de proteção. Ela relatou ameaças contra si e suas filhas. A gravidade desse relato exige avaliação imediata das autoridades e medidas para preservar sua segurança. Seu direito de falar e colaborar com a Justiça precisa estar garantido, independentemente do efeito eleitoral de suas declarações.

Quem anuncia disposição para colaborar com uma investigação deve poder entregar documentos, prestar depoimento e responder pelo que disser. A proteção permite que esse processo aconteça. Também impede que o medo decida o que chegará ao conhecimento público.

O PT quer escolher quais acusações o brasileiro deve ouvir e quais pessoas merecem ser escutadas. Quando o alvo é um adversário, a suspeita rende campanha organizada. Quando alguém aponta para dentro de casa, surgem o insulto e a orientação para ignorar.

Roberta disse que quer falar. As autoridades precisam garantir que ela possa. E o medo do PT é que muita gente preste atenção justamente onde os defensores de Lula estão pedindo que ninguém olhe.

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