Mais um grande acordo para esconder uma grande vigarice

Publicado em 27 de Março de 2026

Milhões de aposentados brasileiros foram roubados. Descontos indevidos em aposentadorias e pensões – tungados por associações e sindicatos que nunca prestaram serviço algum –  revelaram um dos maiores escândalos da história do país. Bilhões de reais sumiram do bolso de quem trabalhou a vida inteira e hoje mal consegue pagar as contas. Agora, assistimos a uma reprise do roteiro: a CPMI, que ajudava a jogar luz sobre os fatos, está sendo enterrada. É o pacto para jogar debaixo do tapete mais uma vigarice sem precedentes.

Desde as primeiras informações, o governo Lula e seus aliados tentam culpar a gestão anterior. Mas os fatos são teimosos. Quem abriu as portas para a multiplicação das fraudes foi o governo petista. As associações já existiam, mas a explosão dos descontos irregulares aconteceu a partir de 2023. Jair Bolsonaro havia colocado travas que dificultavam o esquema.  Mas com a volta de Lula ao Planalto, as regras foram “aliviadas”.

Existem documentos indicando que o irmão do presidente, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, foi pessoalmente ao Ministério da Previdência pedir esse afrouxamento. Foi atendido. Logo depois, o faturamento do Sindnapi, do qual ele é vice-presidente, explodiu. Coincidência? 

Quando as operações da Polícia Federal começaram, o brasileiro — esse otimista persistente— chegou a acreditar em justiça. Viu na televisão prisões, buscas e apreensões de carros de luxo e cofres cheios de dinheiro vivo. Os aposentados tiveram um fio de esperança.  Esperança vã.

A CPMI começou a cutucar onde realmente dói: no núcleo do poder. Surgiram denúncias pesadas envolvendo o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em depoimento, um ex-funcionário revelou a proximidade entre o chefe do esquema e o filho do presidente, mencionando mesadas, lobby, viagens pagas e Pix milionários para a amiga e lobista Roberta Luchsinger.

Testemunhas deixaram claro: o dinheiro saía do esquema direto para o entorno do palácio. E o que o governo fez? Atrapalhou a investigação. Impediu depoimentos, rejeitou convocações de parentes e amigos e usou a base aliada para blindar os interessados. O discurso foi o de sempre: “não temos nada a ver com isso”, “é coisa do passado”. E, assim, engavetaram os requerimentos.

Aliados foram blindados, enquanto o aposentado humilde paga a conta de algo que nunca pediu. O que resta agora são as delações, mas com o encerramento apressado da CPMI — com a coincidente ajuda estratégica do STF no momento certo —, o relatório final será apenas mais um documento para arquivar. Poucos indiciados, nenhum tubarão.

A esperança do brasileiro vai embora junto com o dinheiro furtado de sua conta. Milhões de pessoas que sustentaram este país com suor são tratados como otários descartáveis. O método é perverso: quando a apuração chega perto do poder, a máquina trabalha para parar. O povo paga, os culpados saem ilesos e o Brasil segue sendo o lugar dos grandes acordos para esconder grandes vigarices. No fim, o andar de cima sempre se protege. 

O país não suporta mais esses esquemas. Os aposentados merecem o dinheiro de volta e os responsáveis — sem exceção de cargo ou parentesco — merecem a cadeia.

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