Uma vítima silenciosa do neoliberalismo rentista é a estrutura familiar. Assim como um canário na mina de carvão denuncia a falta de oxigênio, o endividamento familiar começa a denunciar o colapso do modelo econômico rentista.
Nos EUA, o crédito caro tem estrangulado as famílias: cartões rotativos, atrasos em financiamentos e o custo cotidiano achatam a classe média. Ao mesmo tempo, o sistema neoliberal tenta sustentar um esquema de transferência de renda, com poucas famílias sustentando o consumo americano. Por outro lado, o serviço da dívida pública cresce e desloca prioridades, sinalizando desgaste estrutural. Além disso, a China administra uma economia em um delicadíssimo jogo de equilíbrio, diante da deflação e da crise imobiliária.
Mesmo assim, prepara-se para enfrentar o Ocidente, ou ao menos tenta medir a possibilidade de um conflito: exercícios militares chineses são exibidos na TV estatal, há presença estratégica no exterior e exercícios que ensaiam coerção sobre Taiwan. Por fim, o eixo da disputa se desloca: da retórica para a capacidade real de sustentar conflito.