Um caminho para o Brasil voltar a vencer

Publicado em 14 de Agosto de 2026
Há duas maneiras de se falar com um eleitor. Uma delas é dizer que o povo “vai viver melhor”, “comer picanha”, vai “crescer com justiça social” e que vai todo mundo “ser feliz”. A outra é explicar que o custo logístico brasileiro é altíssimo quando comparado com outros países similares, e que essa diferença aparece no preço do arroz e que vai ser atacada com corredores logísticos e fertilizantes produzidos no próprio país, com indústria nossa.

A primeira maneira não pode ser conferida por ninguém. A segunda pode ser percebida por qualquer um, e é justamente por isso que ela é mais difícil de dizer. Quem fala em número se mostra mais seguro para ser cobrado, e é essa a diferença central entre o plano de governo de Flávio Bolsonaro e o que se ouve da esquerda há mais de vinte anos.

Isso dialoga com um operador de mercado, ou com o gestor que precisa decidir onde põe dinheiro de terceiro, porque o plano entrega o que ele precisa para calcular: corte de no mínimo dez ministérios, redução de cargos comissionados, fim de penduricalhos e supersalários, revisão do IVA, Lei das Estatais reforçada, dirigente de agência reguladora escolhido por critério técnico, desestatização caso a caso. Somando a isso o compromisso de que a regra do início é a regra do fim, que é o nome simples da segurança jurídica, e quem já tentou investir começa a entender o diferencial de um plano de governo bem apresentado.

Agora pegue o pedreiro, a diarista, o dono da mercearia de esquina. Para eles o plano é ainda mais direto, porque fala das quatro ou cinco contas que decidem o mês. A conta de luz vai ser simplificada e a CDE reduzida, mantida a tarifa social de quem precisa. O imposto sobre o consumo cai, porque é no consumo que mora o imposto de quem gasta tudo o que ganha. O consignado do INSS ganha dupla checagem para que ninguém volte a tirar do benefício o que o aposentado não autorizou, depois de os descontos indevidos triplicarem em 2023 e 2024. A fila do INSS, que chegou a três milhões de pedidos, entrará na digitalização. E as facções passam a ser tratadas como organizações terroristas, com meio milhão de novas vagas prisionais em quatro anos e uma tropa de elite numa fronteira que hoje tem cerca de um policial para cada 100 quilômetros.

No fundo, tanto o gestor quanto o dono da mercearia estão sendo tratados da mesma forma: como gente capaz de olhar dados, entender de onde ele vem e checar depois se foi cumprido. Do outro lado é o contrário. Vinte anos de PT no poder deixaram uma dívida bruta 13 pontos do PIB maior em quatro anos, 30 aumentos de tributos, a maior taxa de juros em 19 anos, 85% das famílias de até três salários mínimos endividadas e uma reforma tributária escrita ao gosto dos lobbies, com a transição jogada para o mandato dos outros. Para isso, não há explicação técnica. Há sempre a mesma frase pronta sobre o pobre no orçamento e a picanha na mesa.

O nome disso, em bom português, é desprezo pela inteligência do povo. Quem promete em abstrato está apostando que o eleitor não vai conferir. Quem promete coisas concretas está apostando ele que vai. O plano de Flávio Bolsonaro aposta na segunda coisa, e essa aposta já é, por si, um jeito diferente de tratar o brasileiro. O país não precisa de mais alguém dizendo que a vida vai melhorar. Precisa de alguém que diga como, e que possa ser cobrado quando chegar a hora.

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