A máquina continua viva

Publicado em 16 de Julho de 2026

Quanto mais a eleição se afunila, mais a candidatura da direita assusta o grupo que está no poder. O fogo contra Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas político para virar uma campanha coordenada para destruir sua reputação. Parte da grande imprensa e setores do STF já estão decididos a se mobilizar para desgastar o adversário a qualquer preço, e nada deixa isso mais claro com a circulação de uma imagem que tem todo indício de ter sido gerada por inteligência artificial que coloca Flávio ao lado de um suposto sicário.

O tratamento dado a essa imagem mostra o duplo padrão que esse conglomerado da mentira cria em tempo real. Há pouco tempo, quando circulou uma foto real de Flávio ao lado de Donald Trump, agências de checagem e redações de grandes veículos passaram quase dois dias tentando derrubar a autenticidade da imagem, chamando de fake e montagem. Examinaram reflexos, iluminação, ângulos e pixels, tudo para desmoralizar o encontro e esvaziar o seu peso político. Já diante de uma fabricação que associa o senador a criminosos, esse rigor todo simplesmente sumiu. A foto com o sicário não passou por ceticismo nem por perícia antes de virar pauta, mas foi aceita de cara como fato e tratada como indício gravíssimo, porque a verdade do conteúdo pesa menos que o alvo.

Nada disso é espontâneo. A mentira não viraliza sozinha, mas depende da velha máquina de assassinato de reputações da mídia e da esquerda, e ela começa sempre igual: perfis secundários no X esquentam a pauta, e quando a mentira ganha tração, canais que se fazem de isentos como o ICL entram para legitimar a “notícia”. Daí a rede de páginas de fofoca e entretenimento, o ecossistema de destruir a vida alheia, despeja a narrativa já empacotada no celular de milhões de brasileiros.

E o momento não tem nada de coincidência. Esse escândalo fabricado funciona como cortina de fumaça, e chega justamente quando o Planalto está mais vulnerável. A economia está cobrando a conta de todos os brasileiros, a percepção de que o governo Lula fracassou nas negociações do Tarifaço começa a ser percebido pela a base popular do PT. Para tirar o noticiário econômico ruim do centro do palco e impedir a oposição de capitalizar em cima disso, a máquina precisava de uma distração forte. Queimar a idoneidade de Flávio com uma mentira digital resolve dois problemas de uma vez: tira o governo das manchetes e obriga o adversário a se defender.

Esse caso é o retrato claro da distorção sobre o que se criminaliza e o que se normaliza no Brasil de hoje. Basta uma imagem feita no computador para que comentaristas peçam investigação e insinuem laços profundos da direita com o crime, enquanto as relações documentadas, e nunca escondidas, de Lula com ditadores e padrinhos do narcotráfico são normalizadas pela mesma classe. Quando o presidente abraça autocratas que pisoteiam direitos humanos, viram “pragmatismo diplomático”, e cobrar dessas alianças concretas é rotulado como extremismo – já uma imagem de IA contra Flávio vira prova de desvio moral.

Toda essa gritaria só é possível por conta do silêncio da Justiça Eleitoral. Durante anos, o TSE e o STF justificaram a expansão dos próprios poderes, a derrubada de perfis e a censura prévia com um argumento só: era preciso proteger a democracia do veneno das fake news e do perigo da IA nas eleições. Mas quando a IA aparece no debate para destruir um candidato de oposição, essa preocupação toda simplesmente some.

Nós perdemos a confiança no que os próprios olhos veem. A tecnologia facilita a fraude, mas o problema maior é que os juízes desse jogo já mostraram que a régua da verdade entorta conforme a conveniência. A máquina de moer reputações continua viva e a todo vapor, e não vai parar enquanto não garantir o monopólio da narrativa. A pergunta que fica é se o eleitor, já calejado por anos de manipulação, ainda cai num truque tão grosseiro.

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