
Publicado em 10 de Julho de 2026
Ontem, as páginas de opinião e os editoriais dos jornais tradicionais amanheceram coordenados. O alvo, mais uma vez, foi o senador Flávio Bolsonaro, criticado pela Faria Lima por assumir a linha de frente e defender os interesses comerciais do Brasil, em Washington, diante das ameaças de sobretaxas americanas, fruto de ações e omissões do governo Lula nos últimos anos.
Em condições normais, as manchetes deveriam questionar quem não cumpriu a sua obrigação – o governo Lula, que se recusou a participar da audiência.
Para compreender a linha editorial de veículos como O Estado de S. Paulo, basta analisar quem financia a operação de um jornal que acumulou um déficit de R$ 16,8 milhões no balanço de 2025. Documentos recentes revelam que grandes instituições do setor financeiro — como Itaú, Bradesco e Santander — lideraram um aporte de R$ 142,5 milhões em debêntures da publicação, garantindo assento no conselho de administração e interferência direta na gestão corporativa. O jornalismo econômico tradicional atende aos interesses de quem assina o cheque.
A narrativa fica protegida por questões comerciais, e isso, definitivamente, passa longe de jornalismo.
Diante disso, o questionamento necessário talvez seja: o que a Faria Lima, que ataca quem defende o Brasil, produz para o desenvolvimento nacional?
O retorno obtido pelo setor financeiro é de conhecimento público: os bancos operando no mercado brasileiro atingiram o lucro recorde histórico de R$ 255 bilhões em 2025, de acordo com dados oficiais do Banco Central. Esse resultado decorre de uma política macroeconômica desenhada para proteger o rentismo.
O governo Lula atua como o principal parceiro comercial das instituições financeiras ao manter a taxa básica de juros em patamares elevados, encarecer as linhas de crédito livre e incentivar o endividamento via crédito consignado. Mesmo iniciativas anunciadas como soluções sociais operam, no fundo, como mecanismos de transferência de renda pública para o balanço dos bancos. É o caso das edições do programa Desenrola. Enquanto a primeira fase elevou o endividamento geral, o formato atual utiliza até 20% do saldo do FGTS do trabalhador ou o limite de R$1.000 como garantia direta para cobrir calotes bancários. Os bancos nunca perdem.
O ataque coordenado ao líder da oposição reflete o temor de uma quebra de paradigma na política econômica brasileira. O ecossistema financeiro tolera falhas e omissões institucionais, desde que os seus privilégios sejam preservados. O risco real para a Faria Lima é a ascensão de uma liderança focada no setor produtivo e no poder de compra real das pessoas. O medo é que com Flávio na condução econômica do país, a engrenagem que garante lucros bilionários sem contrapartida de desenvolvimento nacional deixará de funcionar com a mesma facilidade que opera hoje. E, claro, a imprensa também está desesperada com a nova “ameaça”, afinal, nos 4 anos de governo de Jair Bolsonaro, a publicidade oficial também teve as torneiras fechadas e o comércio de “opinião” foi sufocado.
A Faria Lima e as redações que ela financia sabem exatamente o que está em jogo. O medo deles é de um projeto nacional que priorize quem trabalha e produz, e não o lucro de quem vive de especulação. Esse desespero coordenado é a prova definitiva de que a oposição está no caminho certo. E fica a pergunta incômoda: O que a Faria Lima faz pelo desenvolvimento do Brasil?