
Publicado em 27 de Junho de 2026
Depois do vídeo de Michelle, fica ainda mais claro o quadro maior. É um padrão: parte da direita que deveria estar remando junto com Flávio Bolsonaro está, no mínimo, remando de lado — quando não contra.
A direita da Faria Lima, aquela mais liberal, de mercado, preocupada com “institucionalidade” e imagem perante o establishment, adora usar os mesmos gatilhos da esquerda com provocações e termos que a esquerda gosta. Os mesmos que criticavam o PT para ganhar espaço e likes, agora flertam com narrativas para tentar enfraquecer o candidato da direita. É hipocrisia pura, mas é o jogo deles.
Os puxadores de voto — eleitos com votação expressiva graças à benção de Jair Bolsonaro — também não ajudam como deveriam. Nikolas Ferreira, que tem a capacidade de mobilizar jovens e redes sociais, simplesmente esquece de citar Flávio na maioria das postagens. Quando fala, é com cuidado, já usou até a expressão: “tem muita água para rolar”. Nunca um engajamento total. É como se o bolsonarismo raiz fosse bom para pedir voto, mas o nome Flávio fosse incômodo demais para abraçar sem pressão.
O governador Tarcísio de Freitas faz o mesmo jogo. Apoia publicamente quando é obrigado — depois de provocações nas redes, de eventos combinados ou de cobranças da base. Antes disso, o apoio é morno, técnico, quase burocrático. “Meu candidato é quem Bolsonaro indicar” — frase repetida várias vezes, mas sem o calor, sem a mobilização ativa que um governador de São Paulo poderia entregar.
Mesmo assim, Flávio segue como o único que pode derrotar Lula. As pesquisas mostram isso com clareza: em segundo turno, ele aparece empatado ou numericamente à frente de Lula em vários levantamentos. Ninguém mais no campo da direita tem esse potencial de unificar a base bolsonarista raiz — aquela que não liga para Faria Lima, que não precisa de “moderado” para se sentir representada, que vota de olhos fechados contra o PT e com lealdade ao legado de Jair Bolsonaro. É exatamente isso que incomoda: Flávio está remando contra uma maré que deveria estar a seu favor. A maré da direita institucional, dos governadores ambiciosos, dos influenciadores que crescem em cima do bolsonarismo mas hesitam em abraçar o filho mais velho. E sabe o que é mais irônico? Essa mesma turma que hoje está em cima do muro ou faz apoio controlado vai querer, no dia da vitória, aparecer na foto, sentar à mesa e participar da montagem do governo. Vão pedir espaço, vão querer indicar gente, vão posar de “responsáveis” que salvaram o Brasil das mãos do PT.
Enquanto isso, quem carrega de verdade é o bolsonarismo, a força que não depende de Tarcísio postar todo dia, de Nikolas marcar o nome ou da Faria Lima dar selo de “aceitável”. É a força que veio das ruas em 2018, que resistiu a tudo depois e que, mesmo com todos os obstáculos internos, ainda é o único projeto capaz de tirar o PT do poder em 2026.
Flávio Bolsonaro não está sozinho. Ele está sendo carregado pela mesma energia que elegeu o pai. Podem tentar o jogo duplo. Podem tentar o silêncio estratégico. O fato é que ninguém freia a força que elegeu Jair Bolsonaro e que agora carrega Flávio.
A maré contrária da direita gourmet — ou pseudo-direita — vai ter que engolir o motor do Brasil real. O destino é um só: a rampa do Planalto em 1o de janeiro de 2027.