
Publicado em 22 de Junho de 2026
No último sábado, 20 de junho, em Guarulhos, foi lançada oficialmente a pré-candidatura de André do Prado ao Senado. O evento reuniu Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro. Chamou atenção o constrangimento visível do governador no palco. Tarcísio cumpriu o papel de comparecer, chegou a se dirigir a Flávio reconhecendo a dívida com Jair Bolsonaro, mas o tom foi distante. Para completar, na postagem que fez nas redes sobre o ato, ele sequer marcou o nome de Flávio Bolsonaro. Parece só um pequeno detalhe, não?
Mas o momento resume bem o que tem sido a postura de Tarcísio em relação à candidatura presidencial de Flávio: apoio declarado, mas engajamento tímido e contido.
Não é possível esquecer o histórico. Em 2022, Tarcísio chegou ao governo de São Paulo praticamente desconhecido do eleitorado paulista. Foi o apoio direto de Jair Bolsonaro e a mobilização do bolsonarismo em âmbito nacional que o projetaram e garantiram sua vitória. Sem aqueles votos e aquela campanha nacional, Tarcísio dificilmente teria chegado ao Palácio dos Bandeirantes.
Nos anos seguintes, seu nome ganhou forte projeção nacional. Tarcísio foi amplamente cotado como um dos principais nomes da centro-direita para disputar a Presidência da República em 2026. Pesquisas internas e análises políticas o colocavam como alternativa competitiva, muitas vezes aparecendo à frente ou em empate técnico com Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno.
Havia quem defendesse que Tarcísio seria um candidato mais “palatável” para ampliar o alcance além do bolsonarismo, dialogando melhor com o mercado, com prefeitos de centro e com eleitores moderados. O próprio Tarcísio alimentou essa possibilidade nos bastidores, demonstrando interesse em uma eventual candidatura presidencial. O governador de São Paulo parece estar sempre com uma calculadora nas mãos.
No entanto, quando Jair Bolsonaro deixou claro que indicaria Flávio como seu sucessor, Tarcísio optou por declarar apoio público ao senador. Até aí, nada de errado. O problema surge quando se observa a prática: o apoio existe no discurso, mas não se traduz em uma disposição clara de fazer campanha ativa pelo pré-candidato presidencial.
Aqui está o paradoxo: Tarcísio deve sua eleição a um movimento de caráter nacional, mas parece não querer nacionalizar sua própria campanha. Em vez de aproveitar a visibilidade do governo de São Paulo para fortalecer a candidatura de Flávio em todo o país — articulando com prefeitos, participando de atos fora do estado e assumindo um papel mais protagonista na coordenação da campanha presidencial em São Paulo —, ele mantém uma postura reservada, como se preferisse manter sua reeleição isolada do embate nacional.
Flávio Bolsonaro já sinalizou que precisa do engajamento efetivo de Tarcísio no maior colégio eleitoral do Brasil. O que se vê até agora é timidez.
Tarcísio prioriza sua gestão e sua reeleição, o que é legítimo, mas evita o passo que seria natural: usar sua posição para nacionalizar o debate e retribuir, com atitudes concretas, o apoio que recebeu em 2022.
Eventos como o lançamento da candidatura de André do Prado mostram que a base está pronta para caminhar junta. Falta ao governador, que foi eleito graças ao engajamento de Jair Bolsonaro, demonstrar, sem reservas, que está disposto a nacionalizar sua campanha e pagar, com o mesmo peso, a dívida que ele próprio assume ter com o bolsonarismo. Não apenas como retribuição, mas pensando também na sua reeleição. Sem o bolsonarismo o resultado de 2022 dificilmente se repetirá. O cálculo é simples: quem está junto, não pode hesitar.