O áudio “vazado”, a hipocrisia e o silêncio sobre as facções

Publicado em 18 de Junho de 2026

No G7 de Évian-les-Bains, Lula mais uma vez mostrou suas contradições. Nada de positivo. Apenas mais um capítulo de narrativa fabricada, gestos teatrais e silêncio sobre o que realmente importa no Brasil. Um áudio do microfone aberto tem mais cara de estratégia do que deslize. Em conversa com a presidente do FMI e o chanceler alemão, Lula soltou:

“O mundo não é de esquerda.  Eu nunca fui esquerdista.”

De repente, o político que construiu toda a carreira no PT e no Foro de São Paulo resolve negar sua própria história.

Em 2023, na abertura do próprio Foro de São Paulo, ele declarou publicamente que ser chamado de comunista era motivo de orgulho. “Isso não nos ofende. Isso nos orgulha muitas vezes”, disse na época. Agora, diante de outra plateia, vira o disco e se apresenta como homem do “caminho do meio”. Deslize ou cálculo? Quando não tem resultado concreto para apresentar, Lula solta uma frase polêmica e a imprensa passa o dia inteiro debatendo. Pauta dominada. 

Enquanto isso, o que realmente deveria estar em discussão — o avanço das facções criminosas, o controle de territórios pelo PCC e pelo Comando Vermelho, a violência que explode em vários estados — fica em segundo plano. Missão cumprida. 

A imprensa também noticiou que Lula antecipou a viagem ao G7 justamente para tentar falar com Donald Trump. Chegou mais cedo, na esperança de um encontro bilateral que pudesse amenizar as tarifas americanas de 25% sobre produtos brasileiros, impostas após investigação sobre práticas comerciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, mercado de etanol e desmatamento na Amazônia. Resultado? Zero. Nenhuma reunião. Na foto oficial dos líderes, Trump simplesmente o ignorou. Sem cumprimento, sem conversa, sem nada. 

Sem conseguir o encontro que buscava, Lula mais uma vez preferiu atacá-lo. Em seu discurso no G7, criticou o protecionismo e o unilateralismo — recados claros e indiretos ao presidente americano. Em vez de admitir a dificuldade diplomática ou tentar uma abordagem mais discreta, optou por alimentar a narrativa de confronto. Diante da porta fechada, escolheu o discurso de sempre.

Enquanto Lula desconversa sobre o que realmente incomoda os brasileiros, as facções criminosas seguem avançando. Quando o governo dos Estados Unidos classificou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, Lula reagiu com tristeza e discurso de soberania ofendida, afirmando que “os nossos criminosos não são terroristas”. Mas o que ele nunca respondeu de verdade: o que seu governo está fazendo de concreto para tirar o controle de favelas, presídios e rotas de tráfico das mãos dessas organizações?

Lula tem tempo para posar de centrista no G7, alfinetar Trump e pautar a imprensa com áudio aberto. Não tem tempo — ou não tem coragem — para falar das facções que dominam partes do território nacional. Admitir isso seria reconhecer fracasso na segurança pública e na autoridade do Estado comandado por ele. 

Lula no G7 de 2026 foi isso: um político que nega sua história quando convém, transforma vexame diplomático em narrativa e desvia o foco do que realmente importa. Lula sendo Lula.

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