A Soberania do crime ou a segurança do povo?

Publicado em 06 de Maio de 2026

Esta semana, os olhos do Brasil e do mundo se voltam para Washington. O encontro entre os presidentes Lula e Trump é o ápice de uma tensão que se arrasta há meses e que toca na ferida mais exposta da realidade brasileira: a segurança pública. A pergunta que ecoa nos corredores do poder e nas ruas de todo o país é uma só: Lula terá a coragem de priorizar o cidadão brasileiro ou vai gastar seu capital político para blindar facções criminosas?

O cenário é de confronto direto de doutrinas. De um lado, a administração Trump — reforçada por declarações recentes em Doral — avança para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). Na prática, isso significa o uso de ferramentas de inteligência americana para congelar contas, impor sanções financeiras globais e asfixiar o poder econômico desses grupos. Do outro lado, o governo brasileiro assiste a tudo com um incômodo indisfarçável, recorrendo ao velho dicionário da militância para rotular qualquer pressão externa como “ingerência”, “imperialismo” ou “ataque à soberania”.

Mas de que soberania falamos? Atualmente, cerca de 28,5 milhões de brasileiros vivem sob o domínio de facções que movimentam mais de R$ 140 bilhões anuais em mercados ilegais. Enquanto esses grupos agem como um “Estado paralelo”, a omissão federal é gritante. Basta lembrar de outubro de 2025, quando o governo do Rio de Janeiro, na Operação Contenção, pediu ajuda por três vezes para enfrentar o CV e teve o apoio negado pelo governo Lula.

Ao lavar as mãos diante da violência interna e brigar com quem quer combater o crime de verdade, o governo escolhe um lado. Se em Washington Lula pedir “clemência” contra as sanções às facções, enviará um sinal de impunidade ao mundo. Priorizar a narrativa política contra os Estados Unidos em vez de enfrentar quem aterroriza nossas comunidades não é defender o Brasil; é defender o caos.

É curioso notar como o governo se apressa em defender a jurisdição nacional toda vez que surge uma proposta de combate rigoroso vinda de fora. No entanto, essa mesma pressa não é vista para retomar os territórios brasileiros hoje controlados pelo tráfico. Enquanto o PT briga com quem quer combater o crime de verdade, o povo brasileiro segue refém de uma violência que não escolhe partido nem ideologia.

A reunião em Washington será o teste de fogo. Se Lula usar o encontro para implorar que Trump “segure a mão” e não classifique as facções como terroristas, ele enviará um sinal claro ao mundo e, principalmente, aos criminosos: o de que o Brasil prefere manter suas fronteiras abertas à impunidade sob o pretexto da diplomacia.

Se trata de reconhecer que o crime organizado no Brasil já ultrapassou as barreiras da segurança pública convencional; ele é uma ameaça à estabilidade democrática.

Ao final deste encontro, saberemos se o governo brasileiro foi a Washington para defender as famílias que sofrem com a violência ou se foi apenas para sustentar uma narrativa política que já não cabe mais na realidade das ruas. O povo brasileiro não quer clemência para facções; o povo quer paz. E a paz só vem com o enfrentamento real de quem nos aterroriza todos os dias.

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