
Publicado em 23 de Janeiro de 2026
Não teve jeito: Tarcísio de Freitas engoliu o orgulho e recuou. A visita a Jair Bolsonaro foi remarcada para a próxima quinta-feira, dia 29. A postagem do anúncio veio carregada: “total apoio e solidariedade” ao ex-presidente, “a quem sou e serei grato e leal”. Na tentativa de não deixar dúvidas: “Sou pré-candidato à reeleição do governo de São Paulo” e “vou trabalhar por uma direita unida e forte contra a esquerda”.
A vitimização de “cansado de levar rasteiras” — semeada por aliados na imprensa — não colou. A pressão da base bolsonarista, como sempre, foi forte. A indignação com a agenda divulgada, que não previa nada relevante para justificar o cancelamento, somada às notícias sobre encontros com a Faria Lima, empresários e marketeiros, aumentou a revolta. Quem plantou isso na imprensa já deveria saber que a estratégia de dobrar a aposta não funcionaria.
Mas não foi só pressão das redes que forçou o recuo. A realidade dos números de pesquisas pesou bastante, ainda mais com o histórico de sempre jogar o nome Bolsonaro para baixo. No dia da desistência, a AtlasIntel já mostrava Flávio colado em Lula no 2º turno e mais competitivo que o governador. A pesquisa divulgada no dia seguinte trouxe a pá de cal: a Apex/Futura coloca Flávio vencendo Lula no 2º turno com vantagem de 6,2 pontos, fora da margem de erro. No 1º turno ampliado, Flávio lidera ou empata tecnicamente com Lula em vários cenários.
O universo paralelo do trade T desmoronou. Nas redes desses perfis, o show foi de desespero: alguns ainda insistiram na estratégia de dobrar a aposta (“Calma, Flávio vai desistir até o fim de fevereiro”), outros se revoltaram e houve até as já esperadas confissões dos conhecidos isentões: “Não voto em Flávio se Tarcísio ficar fora” e, por fim, a resignação. Ficou bem claro que para determinados grupos nunca foi pelo Brasil — era agenda própria, interesses pessoais. Nada de novo.
Quem também vai precisar recalibrar a estratégia é o consórcio PT/imprensa, que plantou incansavelmente a ideia de que Tarcísio é o adversário mais difícil, o moderado palatável, o que furaria a polarização. Mas uma análise fria desmonta a farsa: se Flávio fosse um adversário “tão fácil”, por que o desespero coordenado para desqualificá-lo, enfraquecer a direita e forçar rachas internos? Por que tanto suor para tirá-lo do jogo se era moleza? Simples: eles temem Flávio de verdade. Temem o sobrenome, o eleitorado fiel que não negocia e multiplica votos com um discurso que não muda ao sopro do vento ou de interesses pessoais. Dias atrás, Lula, perguntado sobre qual recado mandaria a Flávio, pediu que ele “não desistisse”. Era parte do joguinho cínico — fingir desprezo enquanto suam frio.
O establishment começa a perder o sono. Flávio consolidando-se como o candidato da direita, unificando a base raiz — isso sim ameaça a narrativa de “Lula inevitável”. Na cabeça deles, um “moderado” poderia ser contido com acordos; Flávio representa a volta de um modelo que deixou traumas em quem está acostumado a se servir do Brasil.
A direita unida que Tarcísio agora promete colocar seus esforços — espera-se que sem novos recuos — vai atrapalhar cada vez mais a estratégia de quem dava o jogo como jogado, duvidava do real engajamento ou diminuía o poder do nome Bolsonaro na urna. No fundo, eles sabem que 2018 pode se repetir.