Um Bolsonaro incomoda - e apavora - muita gente

Publicado em 25 de Fevereiro de 2026

O medo, em política, raramente se manifesta de forma direta; ele costuma se disfarçar de burocracia, de processos judiciais ou até mesmo de ironia. Desde o momento em que Jair Bolsonaro deixou a presidência, testemunhamos uma tentativa orquestrada para riscar o sobrenome Bolsonaro das urnas. Foram decisões que proibiram o uso do nome em campanhas, investigações em série e a condenação que impôs uma inelegibilidade até 2030. Tudo com o objetivo nítido de asfixiar o bolsonarismo antes que 2026 chegasse.

Mas ainda era pouco. Então recorreram também ao cinismo. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em dezembro de 2025. Em um encontro reservado, entre risos e tom de deboche, o presidente Lula enviou um recado irônico a Flávio Bolsonaro por meio de interlocutores: “Peça que ele não desista da candidatura”. O plano parecia brilhante nos corredores do Palácio: inflar a candidatura do filho do ex-presidente por acreditar que ele seria um “adversário ideal”, mais fácil de bater do que nomes considerados moderados, como Tarcísio de Freitas.

A imprensa noticiou que Lula chegou a orientar seus aliados a evitarem críticas públicas ao senador para não desencorajá-lo. Tudo jogo de cena: fingir que incentiva para disfarçar o pavor de enfrentar o legado que esse nome carrega. O que tentaram vender como uma manobra de mestre era, na verdade, um desejo desesperado de escolher o próprio oponente. Mas o tiro saiu pela culatra. O sobrenome Bolsonaro não é apenas uma identidade; é o símbolo de um sentimento antipetista profundo e de milhões de brasileiros que se sentem traídos pelo sistema.

A realidade das ruas, finalmente traduzida em números, mostra que o medo tinha razão de ser. As pesquisas recentes de 2026 desenham um cenário de pesadelo para o establishment. No levantamento da Genial/Quaest de fevereiro, Lula apareceu com 43% contra 38% de Flávio no segundo turno. No Paraná Pesquisas, o impacto é ainda maior em regiões vitais, como São Paulo, onde Flávio lidera com 49% contra 38%. Outros institutos, como Meio/Ideia e Real Time Big Data, já apontam empate técnico ou crescimento acelerado do senador, provando que ele herdou integralmente o capital político do pai.

Durante o último Carnaval, o susto foi ainda maior. Levantamentos diários feitos para o mercado financeiro indicaram Flávio à frente por dois dias consecutivos, o que gerou um clima de velório entre os aliados do governo. Enquanto o PT tentava usar a “máquina de destruir reputações” e promovia homenagens polêmicas financiadas com dinheiro público na avenida — como o desfile da Acadêmicos de Niterói — o povo respondia com a intenção de voto.

O cinismo inicial de Lula deu lugar ao pragmatismo desesperado. Ao confirmarem que Flávio é uma força crescente que unifica a verdadeira direita, o establishment volta a usar suas velhas táticas: narrativas midiáticas e tentativas de isolamento. Tentaram barrar o sobrenome e tentaram inflar terceiras vias, mas nada adiantou. As pesquisas, que historicamente costumam ser generosas com a esquerda, hoje provam que o bolsonarismo não apenas sobreviveu ao cerco, como está mais vivo do que nunca. Em 2026, a urna será o palco de um acerto de contas com o sistema que tentou decidir pelo povo quem ele poderia ou não eleger. Pelo visto, um Bolsonaro ainda incomoda muita gente.

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