Porque os homens estão de pé

Publicado em 06 de Abril de 2026

O PT não arruinou o Brasil somente pela corrupção, pelo aparelhamento ou pela voracidade burocrática. Embora estes sejam os aspectos mais visíveis do desastre, a devastação mais profunda foi outra: ensinou o país a mentir para si mesmo em escala industrial, a chamar servidão de justiça social, decomposição moral de avanço civilizacional, ocupação partidária do Estado de amadurecimento democrático. O petismo não governou o Brasil; tratou de absorvê-lo, de engoli-lo, de transformar a máquina pública, a linguagem universitária, os reflexos da imprensa e a covardia empresarial numa extensão da sua vontade. E fez isso com a ajuda preciosa de uma elite oligárquica incapaz. 

É por isso que a leitura corrente do bolsonarismo posta em circulação pela grande mídia, é uma fraude que só ilude mentes infantis e imaturas. Diz-se que Bolsonaro criou a divisão nacional, como se antes dele reinasse uma paz doméstica apenas perturbada por um demagogo vulgar e brigão. Mas a divisão já existia, camuflada sob o teatro das oligarquias da falsa alternância entre PT e PSDB. Neste arranjo obsceno, este administrava a rendição com bons modos, paletó limpo e soluções tecnocráticas, aquele encenava a revolução pela linguagem. Ambos, apesar das diferenças e disputas acidentais, cooperavam para o mesmo resultado: a lumpemproletarização do Brasil e a neutralização de qualquer força política orgânica e construída para buscar o interesse nacional.

Assim, foi criado no Brasil um ambiente de guerra civil, em que qualquer tipo de resistência à agenda de empobrecimento programado ou de desarticulação social é visto como extremismo a ser aniquilado da arena política. 

Para descrever a complexidade dos efeitos sociais causados pela agenda petista, é bom retornar ao conceito grego de divisão da cidade: stásis (στάσις), do grego antigo derivado, designa antes de tudo um “ato de ficar em pé” e, por extensão semântica, uma “posição”, “postura” ou “partido” assumido num conflito. Na literatura clássica o termo passa a nomear a cisão interna da pólis em facções (στάσεις, no plural), isto é, a guerra civil ou sedição que rompe a unidade política, quando grupos “tomam posição” uns contra os outros e o antagonismo deixa de ser disputa ordinária para se tornar conflito existencial pelo comando da cidade.

Ao descrever a substância do conceito, ou ao contar a história da stásis de Córcira registrada por Tucídides, as semelhanças com o Brasil vão tornando-se evidentes, mas com o Brasil guardando sua peculiaridade: a existência de um líder totalmente dissociado e separado do sistema institucional já corrompido.

O cidadão brasileiro, sentindo-se cercado de inimigos, viu em Bolsonaro o líder antissistema que, em meio a essa ruptura, ainda busca reconstruir o Brasil. Por isso as multidões o seguem, e por isso os homens estão de pé: tomaram partido pela reconstrução do Brasil.

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