
Publicado em 04 de Fevereiro de 2026
Lula, que gosta de cultivar a imagem pública de pai dos pobres, toma decisões políticas como uma mãe permissiva, dócil e paciente dos ricos. Levando em consideração apenas o Diário Oficial, propostas legislativas e demais ações governamentais, Lula, despojado da retórica e das manobras de marketing, é a mãe dos ricos como jamais nenhum outro presidente foi.
O plano petista para o Brasil é simples e, dado o visível estado de destruição do país, pode-se afirmar que o plano já é evidente: lumpemproletarização da população brasileira, achatando a classe média com dívidas e impostos, enquanto afaga as forças sociais com capacidade de interromper sua agenda política.
Por isso, os lucros de bancos batem recordes em seus governos, os juros sobem vertiginosamente e a casta rentista nacional fica muito satisfeita. A retórica pode até iludir — de forma criminosa, diga-se — o eleitor mais simples, mas o Diário Oficial não mente: o governo evita conflito com a intermediação financeira, mantém a expansão de crédito como válvula de sustentação e preserva as condições de remuneração do sistema, mesmo quando o resultado social é o endividamento em massa e aperto do orçamento familiar, o exato oposto de suas promessas eleitoreiras.
As privatizações para agradar o mercado avançam por meio de concessões e parcerias, com transferência prolongada de controle operacional e de receita tarifária. Em dois anos, 2023–2024, ocorreram mais leilões de rodovias do que no período anterior de quatro anos: 9, contra 6. Ao fim de 2025, foram consolidados 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos, com R$ 186 bilhões em investimentos previstos, e parte relevante ficou com consórcios estrangeiros, aprofundando a desnacionalização de setores estratégicos. A Petrobras saiu do roteiro formal de privatização total e a venda de ativos continuou por desinvestimentos seletivos, com exemplos, em 2023, nos campos do Norte Capixaba e do Rio Grande do Norte. O discurso de proteção do patrimônio público não altera o padrão de transferência de comando por contratos longos, com o Estado preservando responsabilidade regulatória e a sociedade arcando com custos.
O gasto público e o uso de bancos públicos ampliam políticas de curto prazo, sem reverter o quadro estrutural. O investimento em infraestrutura ficou em 2,2% do PIB em 2025, abaixo da depreciação anual, com 220 obras federais paradas, 19% do total, e o saneamento distante da universalização, tornando a meta de 2033 inalcançável no ritmo atual. BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil aumentaram os desembolsos, e o crédito orientado a estados e municípios cria dependência fiscal, sem produzir desenvolvimento sustentado.
O efeito social dessa política é devastador: 78,9% das famílias brasileiras estavam endividadas em dezembro de 2025. Recorde. O cidadão paga a conta em juros, serviços precários e perda de poder de compra, enquanto o governo preserva a engenharia que mantém bancos e alianças políticas abastecidos.Apesar da retórica, da imagem pública e da narrativa, Lula nunca jogou contra os bancos. Pelo contrário, na balança de poder nacional o petista sempre se aliou ao grande capital para manter a população brasileira desarmada e isolada diante da agenda de lumpemproletarização. Lula nunca foi o pai dos pobres; mas dos ricos, foi, no mínimo, a ama de leite.