
Publicado em 22 de Março de 2026
No lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad, Lula repetiu o roteiro de sempre: abusou de metáforas e atacou Jair Bolsonaro. A tentativa da vez foi carimbar no ex-presidente a paternidade do “ovo da serpente” do Banco Master. Como de costume, Lula subestima a inteligência alheia e ignora que os fatos apontam para um ninho estritamente petista.
A tática é o diversionismo clássico. Lula agita o espantalho do adversário para esconder os esqueletos no próprio armário. O problema é que os armários se abriram e os esqueletos expostos têm nomes, sobrenomes e cargos no primeiro escalão.
O mesmo roteiro foi utilizado no escândalo do INSS. Lula e o PT bradaram que a “roubalheira” era herança de Bolsonaro, mas os números mostram que a explosão das cobranças indevidas coincidiu cirurgicamente com a subida de Lula à rampa do Planalto. Não foi por acaso; existem conexões familiares que o presidente não consegue explicar.
O irmão de Lula operou um lobby direto dentro do Ministério da Previdência para afrouxar as travas de segurança que protegiam os aposentados. No centro desse turbilhão está Antonio Carlos Camilo, o “Careca do INSS”. O nome central da roubalheira aos idosos surge conectado a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Um ex-funcionário do “Careca” afirmou, em depoimento, que o filho do presidente recebia dinheiro e tinha até uma mesada paga pelo esquema. A Polícia Federal agora investiga se Lulinha é sócio oculto do empresário.
O que deveria ser política pública virou um caso de polícia com DNA familiar e ramificações que chegam ao núcleo duro do governo. Com os acordos de delação já noticiados, o cerco está se fechando.
No caso do Banco Master, o cenário se repete. A tentativa de empurrar a culpa para o “Capitão” beira o delírio, mas não há outra saída para o Planalto. Não há como esconder que o ovo da serpente foi maturado no calor dos governos petistas na Bahia, começando com a privatização da EBAL (Empresa Baiana de Alimentos).
Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Master e comprador da EBAL, é amigo íntimo de Jaques Wagner, o líder do governo no Senado. O privilégio foi garantido no papel: foi Rui Costa, hoje o poderoso chefe da Casa Civil, quem assinou o decreto entregando ao grupo a exclusividade da operação dos consignados de servidores através do Credcesta.
Para fechar o circuito, surge Guido Mantega. O eterno ministro de estimação de Lula, consultor do Banco Master, atuou como a ponte de ouro entre o capital e o palácio. Foi Mantega quem articulou as reuniões secretas, fora da agenda oficial, entre Lula e Daniel Vorcaro. O sigilo tem motivo óbvio: a serpente não suporta a luz do sol.
A tentativa desesperada de colar o caso Master em Jair Bolsonaro não é coincidência. O movimento ocorreu horas após Daniel Vorcaro ser transferido do presídio em que estava para a Superintendência da Polícia Federal. Tudo indica que ele decidiu contar tudo o que fez e o que sabe.
Por mais que tentem esconder, o Banco Master cresceu à sombra do petismo, com decretos amigos e parcerias de décadas. Assim como no escândalo do INSS, atribuir isso a Jair Bolsonaro é uma picaretagem intelectual contra um adversário incomunicável e impedido de desmascarar a farsa em tempo real. Mas é só o que resta a Lula e ao PT.
As delações, em ambos os casos, serão o teste de DNA definitivo. O Brasil vai confirmar que a serpente nunca mudou de ninho. Ela apenas voltou para casa.