
Publicado em 15 de fevereiro de 2026
Para o brasileiro comum, o conceito de “normalidade” tornou-se uma ficção. Enquanto o cidadão rala para garantir o básico, ele observa, com uma mistura de exaustão e náusea, o cheiro da degradação que emana dos centros de poder. A elite do país — a que circula entre gabinetes, grandes bancos e tribunais — parece ter rompido todos os laços com a realidade das ruas. Onde deveria haver serviço público, há conflito de interesses; onde deveria haver justiça, há o conforto do sigilo.
O caso do Banco Master é um retrato fiel dessa engrenagem. O povo assiste a cifras bilionárias e conexões suspeitas com o topo do Judiciário sendo discutidas como se fossem negócios comuns de balcão. Para o cidadão, o sistema é implacável: um erro no imposto de renda ou um boleto atrasado gera punição imediata. Para os “donos do jogo”, no entanto, o que existe é a blindagem das decisões monocráticas e o segredo de justiça usado como escudo. O povo sabe que, no escuro desses sigilos, quem perde é sempre quem está do lado de fora.
A crueldade desse modelo atinge o ápice no escândalo do INSS. Um esquema que não rouba apenas o Estado, mas a comida e o remédio do aposentado — com o apoio ou, no mínimo, a vista grossa do andar de cima. No caso, o Estado atuou como facilitador enquanto milhões de aposentados e pensionistas tinham o dinheiro suado de uma vida inteira sendo drenado por uma quadrilha sob a sombra da impunidade. É a prova de que o sistema perdeu o pudor.
O que torna a situação insuportável é que as elites são imunes às tragédias que impõem ao resto do país. O brasileiro vive acuado pela insegurança, onde o crime organizado dita as regras em territórios inteiros, infiltra-se nas instituições e usa o sistema financeiro para lavar dinheiro à luz do dia. Mas a violência não atravessa os vidros blindados dos carros oficiais, nem chega aos condomínios protegidos por exércitos particulares. Para quem decide o destino da nação, a segurança é um privilégio garantido; para o povo, é uma loteria diária de sobrevivência.
O mesmo abismo se repete na economia. O cidadão carrega o peso de uma das maiores cargas tributárias do planeta, vendo o fruto do seu trabalho evaporar antes de chegar o fim do mês. É cruel. No entanto, para a elite política e judiciária, a inflação é um conceito abstrato. Seus auxílios, verbas de gabinete e benefícios automáticos garantem que seu padrão de vida jamais oscile. Enquanto o povo escolhe qual conta vai deixar de pagar para poder comer, o andar de cima discute novos penduricalhos para o próprio contracheque.
Os dados internacionais apenas confirmam o que o povo sente na pele. O Brasil estagnado na 107ª posição no ranking de corrupção, segundo o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), não é apenas um número; é o preço do descaso. O país está rachado: de um lado, uma casta que se protege e se premia; do outro, um povo exausto que não aguenta mais financiar a própria opressão. A moral, o pudor e o respeito parecem ter sido revogados por decreto.
O brasileiro chegou ao seu limite e exige o fim dessa esculhambação institucionalizada. 2026 não será apenas mais uma data no calendário eleitoral. Será o momento de decidir se o erro continuará sendo protegido, ou se a luz finalmente será jogada sobre quem se acostumou a operar nas sombras.
Pode ser a última oportunidade.