O Marcola do Lula e um novo Bumlai?

Publicado em 05 de Agosto de 2026

A sombra das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, já se aproximava perigosamente de Lula. Transferências de R$ 1,5 milhão, mensagens que citam o “filho do rapaz” e a intermediária Roberta Luchsinger formavam um quadro inquietante. 

Na última semana, a dor de cabeça para Lula aumentou. A Polícia Federal solicitou ao STF autorização para 3 investigações sobre o filho do presidente. Mas talvez não seja isso que mais tira o sono de Lula.  Agora a confusão ultrapassou os limites familiares e chegou ao interior do gabinete presidencial.

Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha e de sua esposa, não se limita ao papel de interlocutora social. A Polícia Federal identificou pagamentos milionários de empresas ligadas ao Careca para sua consultoria. Ela admitiu ter apresentado o lobista ao filho do presidente e, agora, aparece a informação de que ela realizou dezenas de visitas a órgãos do governo — Planalto, ministérios e BNDES — fora da agenda oficial. Essas reuniões, embora o governo afirme que não geraram contratos, levantam questões legítimas sobre o acesso privilegiado de que desfrutava. E, mais uma vez, o padrão da falta de transparência se repete, assim como a reunião secreta de Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro. Se não há nada de errado, para que esconder? 

O capítulo mais recente das relações de Roberta com o poder é o mais perigoso para Luiz Inácio. A empresária transferiu recursos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ele ocupava o cargo de chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, função que lhe conferia controle sobre a agenda e o acesso ao presidente. Em julho, Marcola foi exonerado. A versão oficial aponta a necessidade de integrá-lo à campanha de reeleição. Fontes da imprensa, no entanto, indicam que a saída ocorreu após a descoberta dos pagamentos recebidos de Roberta. Em nota, ele classificou a operação como “empréstimo pessoal já quitado”, sem divulgar valores ou documentos comprobatórios.

Nesse cenário, um paralelo com o passado torna-se inevitável. José Carlos Bumlai, o pecuarista íntimo de Lula, desfrutava de passe livre no Planalto. Em 2008, seu acesso era tão irrestrito que uma orientação na portaria exigia atendimento prioritário ao amigo “em qualquer tempo e circunstância”. Anos depois, Bumlai tornou-se peça-chave em esquemas revelados pela Operação Lava Jato, alavancado justamente por essa simbiose com a máquina pública. 

Bumlai tornou-se peça central nas investigações da Lava Jato, envolvido em empréstimos, intermediações e negócios que exploravam a proximidade com o poder. O padrão é conhecido: amizade próxima, acesso excepcional e circulação de recursos em redes de confiança.

Agora, Roberta Luchsinger repete o padrão: intimidade com o círculo familiar do presidente, trânsito livre em repartições públicas sem registros formais e dinheiro circulando entre alvos de investigação e o entorno imediato do chefe do Executivo. Se Marcola controlava a porta do gabinete, Roberta parecia ter a própria chave. 

O assessor de maior confiança do presidente é afastado de uma hora para outra e a confusão chega ao centro do poder. Fica difícil não enxergar o paralelo. Roberta Luchsinger parece ocupar, neste momento, o lugar que um dia foi de Bumlai. Resta saber até onde essa rede ainda vai.

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