O “lucro social” da CONAB e a contabilidade criativa

Publicado em 08 de Abril de 2026

O PT nunca assume a lambança quando as contas não fecham. Em vez de enfrentar a realidade dos números, prefere usar termos que soam mais nobres. A novidade é o “lucro social”. No balanço da gestão 2023-2025, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) anunciou, com orgulho, ter gerado R$ 18,4 bilhões de lucro social. O cálculo é o seguinte: para cada real investido nas ações da estatal, multiplicaram por 8,78 e chamaram o resultado de “benefício à sociedade”.

No balanço contábil tradicional a história é outra. Até o terceiro trimestre de 2025, a empresa registrava um prejuízo de R$ 23 milhões. Em 2024, por exemplo, a Conab teve um “lucro” de apenas R$ 14,1 milhões — mas só porque recebeu R$ 1,26 bilhão em repasses diretos do Tesouro Nacional para custeio e pessoal. Sem esses aportes bilionários, o rombo seria de R$ 1,24 bilhão. Assim, o prejuízo real virou “retorno extraordinário” e propaganda de sucesso.

É mais um capítulo da contabilidade criativa que o PT já transformou em método de governança. No governo Dilma, essa prática atingiu seu auge com as famosas pedaladas fiscais. O Tesouro atrasava repasses bilionários aos bancos públicos, que arcavam com o pagamento de programas sociais usando o próprio caixa.

As manobras envolveram dezenas de bilhões de reais com o objetivo de maquiar as contas públicas, apresentar um resultado primário mais favorável e esconder o verdadeiro tamanho do rombo. O Tribunal de Contas da União (TCU) considerou as operações irregulares, recomendou a rejeição das contas de 2014 e contribuiu para o processo que culminou no impeachment da “gerenta”. 

No terceiro mandato de Lula, a malandragem voltou. Houve tentativas de excluir despesas do Novo PAC do cálculo do déficit primário, reclassificar transferências de recursos parados do PIS/Pasep como receita primária e discutir formas de amenizar o impacto de pagamentos de precatórios nas contas oficiais. Expedientes diferentes com o mesmo DNA: ajustar a forma de apresentar os números para que o governo pareça mais responsável do que realmente é.

Outro exemplo aparece na forma como são calculados os indicadores de emprego. Beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família, não são considerados “desempregados” nas estatísticas oficiais quando não estão ativamente buscando trabalho. Isso ajuda a manter a taxa de desemprego artificialmente mais baixa, mesmo que uma parcela significativa da população dependa quase exclusivamente de auxílio governamental para sobreviver. Maquiagem da realidade.

A contabilidade criativa não cria riqueza, não melhora a eficiência das estatais, nem resolve problemas estruturais. Ela apenas adia o ajuste inevitável e tenta acostumar a sociedade a aceitar que rombos podem ser disfarçados com nomes sofisticados. No caso da Conab, o contribuinte continua financiando mais de um bilhão de reais em aportes para manter a máquina funcionando — enquanto o discurso oficial celebra um “lucro social” calculado com um multiplicador mágico e difícil de auditar.

Em suma, é a versão atualizada de uma velha receita: quando a matemática atrapalha o enredo, muda-se o nome das coisas.

A contabilidade criativa pode até render boas manchetes, mas nunca transforma prejuízo em prosperidade. O PT demonstra, mais uma vez, ser especialista em maquiagem contábil e em converter prejuízos reais em sucessos imaginários.

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