
Publicado em 13 de Março de 2026
Para Luiz Inácio Lula da Silva, o ano de 2026 não é apenas o fim de um ciclo administrativo, é o desmoronamento de uma estética política. O velho populismo, aquele baseado na retórica de “nós contra eles” e em metáforas de palanque, parece ter batido no teto de vidro da realidade. Não adianta mais gastar bilhões em propaganda governamental ou tentar maquiar a economia com números que o cidadão não vê quando vai ao supermercado. Hoje, a maioria do Brasil rejeita Lula. E não se trata apenas de uma questão ideológica, mas de um cansaço pragmático.
As recentes pesquisas são o termômetro de um governo febril. Quando o Datafolha aponta que 46% da população rejeita o presidente, e a Genial/Quaest eleva esse índice para 56% entre aqueles que o conhecem, o que vemos é o derretimento do capital político em tempo real. O comparativo é cruel: em janeiro de 2025, a rejeição era de 49%. Um ano depois saltou para 54%. Esse crescimento contínuo mostra que o eleitor não está apenas insatisfeito; ele está se desconectando emocionalmente do projeto petista.
O isolamento de Lula vai além das estatísticas, é também um afastamento diplomático e simbólico. O episódio da posse de José Antonio Kast no Chile foi um divisor de águas. Ao boicotar a cerimônia apenas porque Flávio Bolsonaro estaria presente, Lula abandonou o papel de chefe de Estado para se comportar como um militante acuado, uma liderança que tem medo do confronto de ideias. Flávio, por outro lado, ocupou o vácuo, projetando-se como a face de um Brasil que busca novas alianças, enquanto Lula enviou meros emissários de segundo escalão, apequenando a tradição diplomática brasileira por puro ego.
No plano interno, a ferida é ainda mais profunda porque atinge os mais vulneráveis. A tentativa de Lula de pedir que seu filho, Fábio Luís, o Lulinha, “mate no peito” a questão do INSS para blindar a imagem do governo, não funciona. As digitais já estão na cena do crime. Milhões de aposentados foram assaltados sistematicamente por uma quadrilha, e as revelações de depoentes que faziam parte dela sobre mesada, viagens e vantagens para o filho de Lula trazem à memória popular episódios anteriores como o Mensalão e o Petrolão.
A revolta do cidadão aumenta com o estilo de vida da corte em Brasília. Enquanto o brasileiro médio escolhe entre pagar a conta de luz ou comprar carne, o governo torrou mais de R$ 1,4 bilhão em cartões corporativos. É a prova final de que a elite petista se serve do povo quando deveria servi-lo. É a festa paga com o dinheiro de um povo que não tem o que comemorar.
Por fim, há o capítulo sombrio da segurança pública. O Itamaraty implorando ao governo americano para não classificar facções como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas é, talvez, o maior atestado de inversão de prioridades. O governo parece mais preocupado em garantir que o crime organizado não sofra sanções internacionais do que em proteger o cidadão que vive sob o toque de recolher. Lula vira as costas para a dor da mãe que perde o filho para o tráfico.
O grande pesadelo de Lula é o espelho da realidade. O autointitulado “pai dos pobres” não engana mais.
O Brasil de 2026 não é mais o terreno fértil para o populismo messiânico. Outubro está logo ali, e o acerto de contas promete ser o momento mais lúcido da nossa história recente.