Moderados, mas até quando?

Publicado em 18 de Setembro de 2026

O Brasil abriga a maior biodiversidade do mundo, mas centenas de espécies enfrentam o risco de desaparecer.

Ararinha-azul, mico-leão-dourado, onça-pintada e tamanduá-bandeira são animais que correm risco de extinção no Brasil. Tal ameaça tem múltiplas causas, e a preservação dessas espécies é complexa e merece atenção.

Agora, há um tipo de extinção que há de acontecer no Brasil que exibe ter uma causa simples, de fácil diagnóstico e de conhecimento público: o radicalismo do PT caso Lula seja reeleito.

Lula, caso reeleito, terá algum motivo ou meio que possa coagi-lo a fazer ajustes fiscais, a respeitar a liberdade de imprensa e de expressão?

A nação, desprovida de meios institucionais e políticos para refrear seu ímpeto socialista, e Lula, desprovido pela idade de prudência e lucidez, somado a seu isolamento diplomático e político, com toda certeza tornar-se-á muitíssimo radical.

Ora, e qual será o animal da fauna brasileira a ser extinto pelo radicalismo lulista? O centrista, o moderado; esse espécime será, logo, logo, empurrado para a direita, como já estão sendo os reclamantes da crise institucional brasileira que se tornou pública com a sessão extraordinária no STF.

Lula é um membro fundador do Foro de SP, e a agenda bolivariana de integração latino-americana — infectada por um antiamericanismo chatíssimo e vitimista — exerceu muitíssima influência nas agendas de seus governos e dos sucessores do PT.

Há quem acredite que é possível ensinar novos truques a um velho cão, ou que um torneiro mecânico é dotado de uma brilhante expertise que lhe permite, por meio de sentimentos e figuras imaginativas, executar a mais fina e elegante realpolitik.

Mas e se, por um segundo, fosse levantada a hipótese de que Lula, em sua despedida da vida pública, meio que por cacoete, pudesse seguir a agenda bolivariana que o trouxe e o manteve no poder? Tanto pelos rumos do debate público — que passará a discutir gratuidades, desmilitarização da polícia e centralização das investigações do crime organizado como política oficial, possível e provável — como pela radicalização e perseguição do governo.

Para quem duvida do radicalismo do Foro de SP, saiba que um de seus objetivos — e os governos posteriores do PT comprovam isso —, segundo um de seus fundadores, Fidel Castro, é o seguinte: “Erradicar o neoliberalismo.” Não se trata, portanto, de concorrer com o neoliberalismo nas eleições, alternando-se com ele no poder, democraticamente: trata-se de eliminá-lo, de varrê-lo do círculo das possibilidades socialmente admissíveis. O primeiro perigo que o Foro promete para os partidos inimigos — e perceba que neoliberais geralmente são centristas, o que explica o tratamento das instituições brasileiras aparelhadas diante do bolsonarismo — é este: torná-los inviáveis como força política e cultural. Pode-se concorrer com esse adversário, é claro, mas só como meio temporário destinado, em última instância, a “erradicá-lo”, a expulsá-lo completamente da arena pública — para quem não goza de boa memória, Alckmin, que hoje é vice de Lula, era tratado como prole de um eterno fascismo, elemento espúrio que deveria ser erradicado. Nenhum partido ou organização rotulada como “neoliberal” jamais ambicionou “erradicar a esquerda”. Limitam-se a tentar vencê-la nas eleições, quando podem, e, em seguida, aceitá-la como oposição democrática sem perspectiva de extinção.

Saibam, habitantes da fauna e da flora centristas e moderadas: o plano lulista sempre foi promover sua extinção.

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