Jogo sujo, desespero e tumulto

Publicado em 05 de Fevereiro de 2026

Quando sente a derrota se aproximando, o PT provoca o adversário, grita “injustiça” e, como o jogador que vai levar um cartão vermelho, tenta arrastar um adversário junto. Essa é a estratégia posta em prática diante das operações policiais, evidências e depoimentos sobre o escândalo do INSS.

No centro da crise está Lulinha, filho de Lula, com uma denúncia de mesada de R$ 300 mil mensais e mais R$ 25 milhões pagos pelo “Careca do INSS”, chefão da quadrilha que desviava recursos dos velhinhos com descontos em folha. Quem afirma isso é Edson Claro, ex-braço direito do Careca, preso na Operação Colarinho. Além da mesada e dos R$ 25 milhões, teve viagem para Portugal para o Careca abrir uma empresa de cannabis medicinal. A CPMI quis convocar Lulinha, a tropa de choque do governo barrou.

O problema não é apenas Lulinha. Frei Chico, irmão do presidente, logo que Lula foi eleito, pressionou o ministro Carlos Lupi para que as amarras colocadas por Bolsonaro que dificultavam a farra fossem aliviadas. Foi atendido e o “faturamento” de sua associação disparou. A oposição também quis ouvir o irmão de Lula, e, mais uma vez, os governistas barraram.

Agora, a oposição pressiona pela abertura dos sigilos fiscais, telemáticos e bancários de Lulinha, mas a tropa governista certamente estará lá para garantir que a blindagem permaneça.

Acuado, o PT protocolou um requerimento para convocar uma pessoa ligada a Flavio Bolsonaro.  E isso não é mais apenas para blindar os familiares do presidente, é o desespero de quem está vendo o adversário avançar e, em algumas pesquisas, ultrapassar Lula.  Para quem, há poucos dias, usou a imprensa para mandar o recado, como desdém, “peça para que Flávio não desista”, o jogo virou rápido demais.  Se levarmos em conta o histórico dos institutos de pesquisas sempre tão generosos com a esquerda, dá para entender o desespero e o jogo sujo.

E a apelação vai escalar nos próximos dias, porque ainda há muita coisa para explicar.  Assim como no Mensalão (Lula 1), esse escândalo do INSS também tem marqueteiro do PT no meio – no caso, uma marqueteira. Danielle Miranda Fonteles, publicitária ligada a campanhas do PT,  foi apontada pela Polícia Federal como  a “sócia de Portugal” do Careca. Segundo a PF, ela recebia valores dele, atuava como intermediária em aquisições internacionais e movimentava recursos no exterior. Não para por aí: ela liga o Careca a uma consultoria de fachada chamada Spyder Consultoria, que movimentou impressionantes R$ 371 milhões nos primeiros seis meses do ano passado – sem site, sem redes sociais, tendo como “dono” um auxiliar de serviços gerais de 25 anos. Para a Polícia são indícios claros de empresa laranja.

No início da CPMI,  Lula pediu uma investigação “séria”. Estaria ele já preparando o terreno para dizer que foi traído, ou que não sabia de nada? 

Se quiser mesmo e não tiver nada a esconder, que oriente seus aliados a fazer o certo: Lulinha depõe, Frei Chico depõe, sigilos quebrados sem obstrução, investigações sem interferência. Sem isso, resta o óbvio: família e entorno protegidos e adversários atacados.

Em ano eleitoral, a percepção de corrupção é muitas vezes o fator que desequilibra o eleitor indeciso.

A verdade dói e o desespero tira o sono de muita gente.

O jogo está claro. Nem precisa de VAR.

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