
Publicado em 21 de Agosto de 2026
Na reta final do quarto ano de Lula, o Brasil reúne dois recordes que encerram qualquer conversa sobre prosperidade: 83,9 milhões de pessoas inadimplentes e 9,1 milhões de empresas com contas atrasadas. Os CNPJs negativados já somam R$ 232,9 bilhões em dívidas. A recuperação judicial da Casas Bahia, com R$ 17,3 bilhões, expõe o tamanho do estrago. O problema já não cabe no balanço de uma varejista. Está no país inteiro.
Não foi falta de tempo ou de condições. Foi escolha. Depois da pandemia, das guerras e da ruptura das cadeias de suprimento, o mundo voltou a discutir produção. Indústria, energia, defesa, tecnologia, infraestrutura e minerais críticos passaram a orientar investimentos e decisões de Estado. Estados Unidos, China e Europa reforçaram políticas para atrair fábricas, proteger fornecedores e reduzir dependências.
Lula gastou parte do mandato com outras prioridades. Mercado de carbono, títulos verdes, fundos climáticos e certificações ocuparam o centro da narrativa econômica. Esses instrumentos podem servir a projetos específicos, mas não respondem à pergunta decisiva: de onde virão as novas fontes de renda, produtividade e emprego do Brasil?
O país tinha uma oportunidade rara. Petróleo, gás, energia, minerais, alimentos, mercado consumidor e escala poderiam sustentar novas cadeias de fertilizantes, processamento mineral, defesa, indústria naval, ferrovias, equipamentos elétricos e tecnologia. O governo anunciou planos e programas, mas não os transformou em investimento capaz de mudar o custo de produzir e abrir mercados para as empresas brasileiras.
O resultado foi uma economia sem impulso produtivo para sustentar o próprio mercado interno. A renda ficou espremida, o crédito continuou caro e o consumo passou a depender de famílias já endividadas. O dinheiro faltou primeiro no CPF. Agora falta no caixa das empresas.
A sequência atravessa vários setores. Dia, Polishop e Casa do Pão de Queijo recorreram à Justiça. Coteminas, AgroGalaxy, Gol e Azul também já passaram por reestruturações judiciais. Agora foi a vez da Casas Bahia. Tratar tudo como azar, erro de gestão ou coincidência serve apenas para esconder o ambiente criado por Lula.
Brasília mobilizou dinheiro, bancos públicos e regulação para as prioridades que escolheu, mas não organizou um ciclo amplo de expansão produtiva. Faltaram energia competitiva, crédito de longo prazo, infraestrutura no ritmo necessário e encomendas capazes de gerar novas cadeias. Houve movimento em Brasília, mas pouco disso chegou à fábrica, à obra e ao caixa das empresas.
Empobrecimento programado é a repetição consciente de prioridades que já mostraram seu resultado. Lula viu a inadimplência das famílias avançar por 19 meses, viu os bancos apertarem o crédito e viu o problema chegar aos CNPJs. Ainda assim, manteve o país preso à mesma estratégia.
A conta agora circula por toda a economia. O consumidor reduz compras, a empresa perde receita, o fornecedor recebe menos pedidos e o emprego começa a ser cortado. As grandes companhias renegociam com bancos e fundos. As pequenas fecham sem manchete e levam junto o patrimônio de famílias inteiras.
A Casas Bahia é a fatura mais visível de um Brasil que passou quatro anos discutindo como financiar carbono sem conseguir financiar o próprio desenvolvimento. Primeiro veio o recorde no CPF. Agora chegou ao CNPJ. A etapa seguinte já aparece nas portas fechadas e nos empregos perdidos.