
Publicado em 22 de Janeiro de 2026
O cálculo político de Tarcísio de Freitas ficou escancarado mais uma vez: o governador de São Paulo adiou — na prática, cancelou — a visita marcada para esta quinta-feira a Jair Bolsonaro. Motivo oficial? “Compromissos em São Paulo”. O motivo de fundo parece ser evitar cobranças e preservar manobras para não se comprometer de vez com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
Enquanto isso, os aliados do governador fazem a outra parte do serviço, plantando na imprensa a narrativa de sempre: Tarcísio é o “moderado”, o “gestor”, o “inevitável” para 2026. Como sempre, tudo coordenado e regado por interesses de quem não aceita a escolha legítima de Bolsonaro. Eles ignoram — ou fazem de conta que não existem — os dados e os fatos que desmontam o sonho platônico. Insistem em forçar rachas, fazem drama e falam em “traição” para encher as páginas de política de padrão fofoca e alimentar a sua horda, mas a realidade insiste em desmenti-los.
A Faria Lima — que fantasiou com um nome “técnico” alinhado aos seus interesses — acorda todos os dias com o pesadelo: Bolsonaro fechou a franquia no Zero Um. Desde o início, a unção de Flávio como candidato de Jair causou pânico e uma corrida de perfis ligados ao mercado nas redes sociais. O discurso é o mesmo plantado na imprensa, mas com ares de análises matemáticas que não se sustentam, como a tal rejeição: “Flávio não pode vencer Lula por conta da rejeição”. Mas e a rejeição a Lula que é ainda maior? Essa linha também não está na planilha imaginária da narrativa do mercado financeiro.
Quando saiu a notícia de que Jair pediu para receber a visita de Tarcísio, todos tinham a certeza pela enésima vez: “Flávio vai desistir e o Jair chamou Tarcísio para assumir a candidatura”. Mas a realidade mais uma vez se impôs. Não era nada disso e nunca será. Flávio é o herdeiro, carrega o sobrenome e o eleitorado fiel — e os números confirmam que isso pesa.
O último revés veio com a AtlasIntel/Bloomberg divulgada recentemente. Flávio Bolsonaro sobe forte e se consolida como o nome mais competitivo da oposição. No segundo turno, direto contra Lula, a diferença despencou de 12 pontos (dezembro/2025) para apenas 4 pontos. Um avanço expressivo para quem entrou na disputa há poucos meses. E esse não é o dado que mais incomoda. Quando colocados os dois nomes, Flávio e Tarcísio, a diferença entre ambos é mais que o dobro em favor do escolhido por Jair Bolsonaro. Não para por aí: se tirar o nome de Flávio, Lula dispara. A pesquisa colocou por terra toda a narrativa da “direita permitida”.
O cancelamento da visita revela egoísmo, a plantação na mídia revela desconexão, a irritação da Faria Lima revela frustração com a realidade que não se curva a desejos.
No fim das contas, o bolsonarismo segue como o único antídoto ao PT. Na frente das câmeras, com microfones ligados, os “aliados” juram lealdade à escolha de Jair. Em off, com a covardia de sempre, confessam: só seguem se ele escolher o candidato deles.
Quanto ao governador, recorrendo à frieza calculada, dessa vez deixou de lado muito mais que uma convocação, abriu mão de fazer um gesto mínimo de solidariedade com aquele que lhe deu visibilidade e oportunidade. Algumas das notinhas plantadas falam que Tarcísio cansou de levar rasteiras. Se tem alguém que vem levando rasteiras, inclusive de ditos aliados, é o ex-presidente.
A única certeza sobre esse grupo de “aliados” é que o mimimi, as rasteiras e a plantação de notícias não vão parar.