A mesquinharia do jogo político

Publicado em 07 de Fevereiro de 2026

O bolsonarismo é um movimento político que atrai reações de muitos grupos e agremiações nacionais. Da esquerda mais radical, que tenta rotular o movimento como fascista, até liberais que o categorizam como populista e reacionário, passando pelo centro da frente ampla, que tenta posar de conselheiro “moderado” contra o radicalismo.

Se o bolsonarismo fosse o maior dos problemas, bastaria colocar alguns arruaceiros na cadeia e proibir manifestações com camisas do Brasil. Pronto: o saneamento seria universalizado, as facções abandonariam territórios conquistados e a economia se desenvolveria. Nem mesmo os grupos de guerrilha combatidos pelos militares no século passado foram tratados como pestilência nacional ou causa de todos os males do país. Parece até que o bolsonarismo é quem faz alianças com facções criminosas que dominam territórios, quem destrói postos de trabalho para colocar cidadãos sob jugo assistencialista e que o poder burocrático do Estado para lumpemproletarizar o Brasil — assim, supostamente, viabilizando a “pátria grande”, projeto de integração da América Latina e destruição das soberanias nacionais.

Ao fazer um exercício de sinceridade e imaginação, percebe-se que a grande maioria dos problemas atribuídos ao bolsonarismo é puramente imaginária, fruto de propaganda partidária disseminada nos meios de comunicação. Mas por que o bolsonarismo é tão incômodo? Porque não foi possível domesticá-lo nem sufocá-lo por completo — e esses são os dois caminhos que qualquer movimento social ou político costuma enfrentar em terras tupiniquins.

O mensalão descredibilizou a classe política e colocou em xeque o presidencialismo de coalizão, regime em que o presidente precisa formar maioria no parlamento para ter governabilidade, e os parlamentares são responsáveis por fiscalizar as ações do presidente enquanto chefe do Executivo. O que importa é que o PT formou sua maioria no parlamento praticamente comprando-a; o mensalão descredibilizou a classe política nacional, gerando um ambiente de instabilidade institucional e desconfiança do cidadão para com os agentes públicos.

A Lava Jato reajustou a balança de poder nacional com a hipertrofia de poderes burocráticos — ou seja, transferiu-se legitimidade para a casta não eleita da burocracia estatal; tanto que se tentou, a todo custo, fazer de Sérgio Moro um herói —, o que fez com que o estamento burocrático se tornasse, de fato, cada vez mais burocrático.

Diante disso, ascende Bolsonaro, o único político com legitimidade real: carimbo anti-establishment. Bolsonaro é o único “não vagabundo”, mas essa falta de legitimidade da classe política foi causada pelo mensalão; não é fruto de uma máquina de propaganda ultracomplexa e organizada de um partido neofascista. Bolsonaro goza de prestígio e de simpatia autêntica da população, justamente porque tem um discurso totalmente incompatível com o establishment e nunca entrou em nenhum esquema durante sua vida pública.

Desde que foi comprovada sua popularidade e força política, o establishment tenta desumanizar e deslegitimar Bolsonaro, na esperança de apagar sua popularidade ou transferi-la para algum agente comprometido com as elites oligárquicas nacionais.

Alguém duvida de que o jogo político nacional gira em torno de tomar a legitimidade e a liderança de Bolsonaro e passá-las para outros agentes? 

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