A hipocrisia seletiva da interferência estrangeira

Publicado em 08 de Janeiro de 2026

Uma manchete patética no UOL com uma pitada de entrevista de Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA durante o governo FHC, revela a face da hipocrisia e o pavor da imprensa tupiniquim: “Vou ficar surpreso se Trump não interferir”, disse o diplomata de poltrona. A frase sugere que uma eventual influência americana seria uma novidade chocante e perigosa para a soberania nacional. Mas o timing é revelador: onde estava essa indignação quando o governo Biden e suas agências despejavam recursos e influência política no Brasil, especialmente durante as eleições de 2022?

Documentos e depoimentos apontam para uma rede sofisticada de intervenção que operou sob o manto da “defesa da democracia”. Mike Benz, ex-diretor do Cyber Statecraft Initiative no think tank Atlantic Council e ex-funcionário do Departamento de Estado americano, escancarou isso em audiência na Câmara dos Deputados em agosto de 2025. Ele detalhou como a USAID – agência de desenvolvimento dos EUA – multiplicou por três sua verba para o Brasil em 2022, financiando ONGs, “fact-checkers” e centros de “combate à desinformação” com foco em modular o debate eleitoral. Uma estrutura alinhada para favorecer um lado, com parcerias locais que treinavam ativistas, monitoravam narrativas e pressionavam plataformas digitais. O tema, sempre que surgia, era tratado como uma ajuda à preservação da democracia.

Benz citou fluxos de milhões de dólares via USAID, National Endowment for Democracy (NED) e Open Society Foundations, que apoiaram projetos de “monitoramento de riscos eleitorais” – na prática, censura seletiva contra conservadores e opositores a Lula. Tudo isso enquanto o TSE e o STF recebiam elogios de embaixadores americanos por “fortalecer instituições democráticas”.

Mas o que aconteceu com essas denúncias? Uma espiral do silêncio clássica. A grande imprensa – UOL inclusive – tratou o depoimento de Benz como nota de rodapé, “polêmica de extrema-direita” ou curiosidade exótica. Nenhuma manchete alarmada, nenhum especial investigativo, nenhum convite para Rubens Barbosa comentar o risco à soberania. Por quê? Porque a interferência vinha do lado “certo”: Biden, deep state, globalismo progressista. Era uma “parceria”, não uma ameaça.

Chegamos a 2026. Trump voltou ao poder, e uma frase especulativa do ex-embaixador basta para disparar os alarmes. Não há documentos, depoimentos ou CPIs envolvidas, só projeção. É o oposto do que aconteceu em 2022. O que é comprovado vira lenda urbana; o que é hipotético, fato consumado.

Essa assimetria serve como vacina narrativa para o establishment brasileiro. Se perderem as eleições presidenciais em 2026, o álibi está pronto: “culpa de Trump”, “ingerência externa”. Qualquer resultado desfavorável ao roteiro oficial será “golpe importado”. o velho medo de perder o controle. Quando a interferência ajudou, chamaram de cooperação. Quando ameaça o projeto, mesmo que no campo da suposição, vira crise de soberania.

No fim, é o velho medo de perder o controle. Quando a interferência ajuda, chamam de cooperação. Quando ameaça o projeto, mesmo que no campo da suposição, vira crise de soberania. O pânico da esquerda e seus puxadinhos midiáticos, depois de tantas mentiras e narrativas fabricadas, é com a interferência do eleitor.

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