A direita inevitável

Publicado em 01 de Março de 2026

A grande crise a ser resolvida no Brasil não passa apenas pela desarticulação da quadrilha que está no poder, mas demanda toda uma reconstrução institucional e moral, que só será possível com a ascensão de uma nova elite política. Elite política não apenas no sentido de quadros que ocupam o topo da hierarquia institucional da nação, mas como grupo comprometido com a construção da soberania e da alta cultura brasileira.

Ainda se vive um debate público pautado em lugares-comuns, chavões e pouquíssima racionalidade e abstração; discute-se muito pouco os problemas reais e factuais da população brasileira e da nação. É uma questão existencial para a direita transcender essa casca superficial do debate público nacional e articular um projeto político nacional.

Um topos, ou “lugar-comum”, é um trecho da memória coletiva onde estão guardados certos argumentos estereotipados, de credibilidade garantida por mera associação de ideias, independentemente do exame do assunto. Muitos lugares-comuns formam-se espontaneamente, pela experiência social acumulada. Outros são criados propositadamente pela repetição de slogans, que se tornam lugares-comuns quando, esquecida a sua origem artificial, se impregnam na mentalidade geral como verdades autoevidentes.

Os lugares-comuns não são um simples amontoado, mas organizam-se num sistema, que pode ser analisado e descrito mais ou menos como se faz com um complexo em psicanálise, e cujo conhecimento permite prever, com razoável margem de acerto, as reações do público a determinadas ideias ou palavras. Contando com essas respostas padronizadas, o argumentador pode fazer aceitar ou rejeitar certas opiniões sem o mínimo exame, de modo que, à simples menção das palavras pertinentes, a catalogação mental se faz automaticamente e o julgamento vem pronto como fast food. A impressão de certeza inabalável é então inversamente proporcional ao conhecimento do assunto, e o sentimento de estar opinando com plena liberdade é diretamente proporcional à quota de obediente automatismo com que um idiota repete o que lhe ditaram.

Os lugares-comuns do combate à corrupção, Estado mínimo e liberdade podem trazer alguma inflamação retórica, algum efeito sobre o público entorpecido e anestesiado, mas não trarão qualquer solução concreta. É uma questão existencial para a direita apresentar soluções políticas, institucionais e econômicas para reconstruir o Brasil diante do processo de desglobalização e do colapso do mundo baseado em regras.

O Brasil precisa se reposicionar enquanto nação diante de um mundo que está alterando suas regras, hierarquia e protagonistas; o movimento político que apresentar um projeto nacional para reestruturar a unidade nacional e desenvolver o país inevitavelmente chegará ao poder. Por razões existenciais, a direita precisa se reposicionar na arena pública como um movimento com agentes cientes do processo de empobrecimento programado, da agenda de governo mundial e da criação de sociedades abertas, para oferecer respostas substanciais à população, tanto com políticas públicas quanto com discursos e manifestações esclarecedoras.

 preciso reverter o processo de degradação, empobrecimento e divisão entre Estado e sociedade. A direita que apresentar um projeto de vida comum para o Brasil inevitavelmente chegará ao poder.

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