A cidade dívida

Publicado em 04 de Abril de 2026

O PT utiliza, de forma deliberada, uma inversão psicótica para articular sua retórica eleitoral: toma um futuro hipotético, supostamente desejado pela sociedade brasileira, como premissa categórica para explicar e justificar o passado, o presente e o futuro.

A corrupção do mensalão é justificável pela necessidade de comprar o parlamento para Lula aprovar programas sociais, em um mundo onde parlamentares de uma direita inexistente e completamente sufocada poderia barrar a possibilidade de criar um direito à subsistência que o pobre teria recebido nos governos petistas. A corrupção nas estatais é justificada pela necessidade de combater a extrema direita — inexistente, fraca e frágil nos primeiros dois governos de Lula; uma direita reduzida a um grupo de coxinhas de camisa abotoada até o alto do pescoço, que no máximo, acusavam o PT de ser corrupto e nada mais —, que quer roubar toda a dignidade dos pobres e impedir o futuro glorioso da nação brasileira.

Nesse Brasil, a filha da empregada tornar-se-ia médica; pobres frequentariam o aeroporto, abraçariam o Mickey e comeriam do bom e do melhor. Mas a demoníaca elite brasileira quer guardar todas essas benesses para si, deseja ter o monopólio e a exclusividade: por que isso garantiria a manutenção dessas benesses? Os ricos brasileiros teriam nojo de dividir aviões, abraços no Mickey e faculdades de elite com as castas baixas do Brasil.

Para combater esses demônios da elite brasileira — nos quais foram inspirados todos os vilões e vilãs das novelas da Globo —, é necessário recorrer ao roubo, à fraude, à compra de consciências, à corrupção institucional e a alianças com o crime organizado. A verdade é que o PT usa de todos os meios possíveis para corromper e fraturar o tecido social, institucional e psicológico do Brasil. O crime organizado é utilizado como Estado paralelo e aliado do partido. O empobrecimento programado desarma os cidadãos de bem e a retórica política joga uns contra os outros.

O Brasil glorioso que o PT prometeu jamais chegou, mas a instabilidade social e a guerra civil generalizada foram muito bem-sucedidas: o PT fez do Brasil uma cidade dividida e eternamente em guerra contra si mesma.

Tucídides, historiador grego, trata em seus escritos da stasis de Córcira, ou seja, de uma guerra civil em uma cidade próxima ao mar Jônico. A guerra civil escala e ganha proporção quando as potências em guerra na época — no caso, Atenas e Corinto estavam em conflito — passam a intervir na política interna da cidade; prisioneiros corcireus chegaram a ser soltos pelos coríntios com a missão de “trazer Córcira para Corinto” e afastá-la de Atenas.

Tucídides ainda analisa a corrupção da linguagem e a psicose que muda o sentido das palavras para servir à facção: prudência pode virar covardia, moderação pode ser considerada falta de virilidade, audácia — ou ímpeto suicida — pode ser vista como coragem. Fanatismo é o mínimo para se considerar a “fidelidade”. A confiança some, os juramentos viram instrumentos, e a justiça deixa de ser uma medida comum: as instituições, cargos, ofícios e magistérios tornam-se apenas formas de exercer o poder e buscar interesses particulares.

E esse sempre foi o plano petista: servir a interesses estrangeiros para fortalecer a posição da sua facção no jogo de poder, corrompendo o país e mantendo-o sob estado de guerra civil. O PT não entregou e jamais entregará seu Brasil glorioso e igualitário, mas manterá a nação em estado de guerra civil. O PT transformou o Brasil em uma cidade dividida, uma nação sofrendo da doença da stasis.

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