Mapa do Caminho para o precipício “verde”

Publicado em 19 de Abril de 2026

Lorenzo Carrasco e Geraldo Luís Lino

A expressão “mapa do caminho” é uma das palavras de ordem da vasta rede internacional de interesses estabelecida em torno da financeirização das políticas ambientais, usada para apontar um conjunto de medidas para a substituição acelerada dos combustíveis fósseis até meados do século.

Após o fiasco da conferência COP30, em Belém (PA), a presidência brasileira comprometeu-se a elaborar para a próxima edição do convescote climático o “mapa do caminho” para a “transição para o afastamento dos combustíveis fósseis de forma justa, ordenada e equitativa” e pelo “fim e reversão do desmatamento e da degradação florestal até 2030”.

Em paralelo, no início de dezembro último, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou um prazo de 60 dias para a elaboração das diretrizes para o Mapa do Caminho da transição energética no País. O prazo já se esgotou, mas a Frente Parlamentar Mista Ambientalista (FPMA) do Congresso Nacional aprestou-se a elaborar o seu próprio Mapa do Caminho para a Agenda Legislativa Socioambiental, lançado em 15 de abril, com “orientações para a atuação de deputados, senadores, assessores e corpo técnico nos próximos oito anos”, como descreve a Agência Brasil (15/04/2026).

“Mais do que um diagnóstico, este mapa oferece ações concretas para popularizar a pauta climática, combater a desinformação e garantir que o desenvolvimento do Brasil seja guiado pela preservação da biodiversidade e pela inclusão de jovens, indígenas e periferias”, diz a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que divide a coordenação da FPMA com o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP).

O “mapa” divide a agenda ambiental em seis eixos prioritários: 1) Transição energética, ecológica e econômica; 2) Proteção dos direitos dos territórios, justiça climática e combate ao racismo ambiental; 3) Inovação, renovação, governança e fortalecimento institucional; 4) Orçamento e financiamento da política ambiental; 5) Capacitação e enfrentamento à desinformação; e 6) Defesa da floresta, animais, água, oceanos e biomas estratégicos.

Apenas pela descrição temática, pode-se antecipar que o “mapa” da FPMA não passa de uma extensão da agenda ambiental-indigenista que tem sido imposta ao Brasil nas últimas décadas. Por exemplo, a palavra “saneamento”, referente ao problema ambiental mais sério do País, é citada apenas duas vezes no texto de 35 páginas, em notas de rodapé referentes a documentos consultados.

É significativo que o documento tenha sido elaborado com a colaboração ativa das ONGs Legisla Brasil, Engajamundo e NOSSAS, todas vinculadas à rede internacional de financiadores da agenda da “descarbonização”. Entre elas, destacam-se a ubíqua Open Society Foundations de George Soros, Climate Land Use Alliance, European Climate Foundation, Heinrich Böll Stiftung, Instituto Clima e Sociedade, Laudes Foundation, Oak Foundation, Climate Justice Resilience Fund, WWF, The Body Shop, Climate and Land Use Alliance e United Nations Population Fund.

A rigor, de uma frente parlamentar dominada por promotores das pautas “verde-indígenas” não se poderia esperar algo diferente. Todavia, o mesmo não se pode dizer das duas principais entidades científicas nacionais, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que encaminharam ao governo federal uma carta cobrando as diretrizes para o “mapa do caminho” brasileiro. O texto é apocalíptico, como se observa nos parágrafos abaixo:

“A urgência é real e crescente. As evidências científicas indicam que o planeta se aproxima de forma alarmante do limiar de 1,5°C de aquecimento antes de 2030 e pode ultrapassar 2°C antes de 2045, com sérias consequências para a sociedade, o meio ambiente e a economia brasileiras. O Brasil é particularmente vulnerável: o risco de colapso irreversível da Amazônia, de redução da produtividade agrícola e de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e devastadores – enchentes, secas e ondas de calor – já comprometem vidas, infraestrutura e a capacidade do Estado de planejar e executar políticas públicas de longo prazo. Cada ano de inação acarreta custos econômicos e humanos imensamente superiores aos da necessária transição energética.

“A dependência de combustíveis fósseis também é uma vulnerabilidade estratégica e econômica. Como demonstra a atual conjuntura geopolítica, conflitos internacionais e tensões em regiões produtoras de petróleo – como o fechamento do Estreito de Ormuz – geram instabilidade de preços, inflação e escassez de insumos essenciais em múltiplos setores da economia brasileira. Reduzir essa dependência é, portanto, uma questão de soberania energética e de segurança econômica nacional.”

Lástima que as principais representantes da comunidade científica brasileira mantenham tal adesão acrítica ao catastrofismo ambiental e climático, sem atentar para os questionamentos cada vez mais sérios a essa agenda, tanto científicos como entre os seus anteriores promotores na alta finança global. Casos dos megafundos de gestão de ativos (BlackRock, Vanguard etc.), megabancos (JP Morgan Chase, Bank of America, Morgan Stanley e outros) o atual primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e outros próceres das “finanças verdes”, que já as trocaram por investimentos e iniciativas mais alinhadas com a economia real.

O mesmo pode ser dito do evidente fracasso da “transição energética”, baseada em tecnologias ineficientes e de alto custo, deficiências à mostra nos países que apostaram alto em fontes energéticas intermitentes como eólicas e solares e em tecnologias imaturas como o hidrogênio verde.

Em síntese, trata-se de um caminho que leva apenas a um retrocesso tecnológico e a um precipício econômico.

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