Amar os inimigos, defender a lei e a igreja do Senhor

Publicado em 12 de Abril de 2026

O debate público brasileiro foi deformado até ser conduzido e dominado por uma intelligentsia laicista e alienada. O cristianismo, religião fundante do país, professada por cerca de 80% da população, foi expurgado de redações, universidades e parlamentos, restando como espantalho do politicamente correto, no máximo figurando no reino da hipótese como candidato a representante do eterno “fascismo” que está sempre às portas assombrando DCEs e redações de jornal. Um país que diz aos agentes do exterior ser exemplarmente democrático tem um regime que sufoca e sub-representa, na política, a maioria religiosa nacional: uma elite hostil ao povo, aos seus valores, costumes e tradições impõe silêncio à maioria cristã que, se fosse liderada, facilmente a removeria do poder.

Geralmente, a artimanha diabolicamente maliciosa que busca neutralizar qualquer reação é uma falsificação teológica grotesca: a doutrina da “falsa caridade”. A militância revolucionária, impiedosa com seus adversários, exige cinicamente que os cristãos pratiquem tolerância absoluta diante dos ataques aos seus valores. Como se, ao confessar o cristianismo publicamente, todo e qualquer fiel assumisse um compromisso absoluto com o relativismo moral, abrisse mão de sua cidadania e negasse toda e qualquer vontade de modificar a ordem política.

Sob a fachada cínica de “amar os inimigos”, invertem-se papéis e exige-se a capitulação moral como se fora virtude. Assim, fica livre o caminho para avançar sobre o Estado e a sociedade — e, para isso, nem é preciso administrar a sociedade ou ter para ela um projeto: basta entregar tudo à ONU e a seus acólitos, e os estímulos ao aborto, à ideologia de gênero e ao uso de drogas estarão garantidos com um mínimo de esforço do partido —, com o beneplácito hipnótico de uma maioria entorpecida que aceita calada a própria desmoralização. Transformando a confissão e a prática pública do cristianismo numa espécie de renúncia da cidadania, exige-se que aquele que pretende militar pela Cidade de Deus renuncie a qualquer influência sobre a cidade dos homens.

Mas a tradição cristã de teologia e o direito ocidental têm uma resposta clara para essa artimanha, com uma distinção objetiva entre “inimigo privado” e “inimigo público”. Há uma diferença nítida entre o desafeto particular e quem oferece risco para a ordem pública e o bem da cidade. Quem aborrece o indivíduo — e assim revela o pecado e a intolerância — deve ser amado; mas jamais foi ordenado amar ou entregar-se incondicionalmente a agentes públicos, políticos e institucionais organizados para demolir uma nação, e muito menos renunciar ao direito de legítima defesa de uma ordem política justa.

O mandamento de Cristo para amar os inimigos aplica-se, nitidamente, ao domínio das relações privadas, ao desafeto pessoal que ofende no cotidiano. Em nenhum momento de toda a história da cristandade imaginou-se que um magistrado devesse abolir a severidade da justiça para afagar criminosos, nem que o cidadão devesse cruzar os braços e entregar sua nação, sua cultura e sua família nas mãos de políticos anticristãos sob o pretexto de “dar a outra face”.

É possível amar os inimigos e defender a Igreja na arena pública. Os inimigos da Igreja devem e sempre foram combatidos; desde as epístolas apostólicas, nunca cessou o combate às heresias e mentiras contra a Igreja. Não é apenas possível: é necessário empreender esse combate — amar os inimigos, defender a lei e a Igreja do Senhor.

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