
Publicado em 28 de Março de 2026
Na madrugada deste sábado, a tropa de choque do Planalto na CPMI do INSS deu mais uma prova inequívoca de que nunca quis investigar nada. Por 19 votos a 12, a base governista rejeitou o relatório final, um documento que reunia evidências robustas da Polícia Federal, depoimentos de presos e relatórios de movimentações financeiras suspeitas. O texto pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Os indícios são claros, diretos e constrangedores: uma testemunha afirmou que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, operador central do esquema de fraudes em descontos indevidos de aposentados e pensionistas. O Careca ainda bancou viagens de luxo de Lulinha para a Europa (Espanha e Portugal), em primeira classe; e a empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga próxima do filho do presidente, recebeu mais de R$ 1,5 milhão do Careca, com mensagens explícitas citando “o filho do rapaz” como beneficiário final. Mesmo assim, como era de se esperar, Lula e sua base preferiram proteger os seus em vez de esclarecer.
Durante toda a CPMI, a atuação da tropa de choque foi despudorada. Todos os requerimentos de convocação de Lulinha e de Frei Chico — irmão de Lula e vice-presidente do Sindnapi — foram rejeitados sistematicamente. Frei Chico, que teria aberto as portas do governo para aliviar as restrições impostas por Bolsonaro aos descontos associativos, foi blindado de ponta a ponta. O Sindnapi, entidade da qual ele é vice-presidente, teve um crescimento escandaloso de receita com descontos das aposentadorias e pensões dos idosos. A PF apreendeu veículos de luxo, cofres cheios de dinheiro e bloqueou centenas de milhões da entidade. Mas ouvir o irmão do presidente? Nunca. A tropa de choque não permitiu.
A única vez em que a oposição conseguiu aprovar um requerimento importante — a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha —, a sessão virou um caos absoluto: deputados da base governista partiram para cima dos colegas de oposição; houve troca de socos, empurrões, copos quebrados e bate-boca generalizado. Era o desespero petista ao ver que a investigação chegava perto demais da família de Lula.
Para garantir o enterro do relatório, o próprio Lula — que se apresenta como “pai dos pobres” — agiu pessoalmente: exonerou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para que ele reassumisse o mandato no Senado, retirasse a suplente de oposição e reforçasse o voto da base contra o texto. Com tal manobra, o Planalto garantiu mais um voto para que o roubo contra os aposentados não tivesse o peso institucional de um relatório de CPMI aprovado.
Em vez de investigar as fraudes contra milhões de brasileiros humildes, a tropa de choque preferiu desviar o foco, apresentar um relatório paralelo e proteger os seus. O resultado foi previsível: as evidências ficaram engavetadas, os indiciamentos viraram mera sugestão da oposição e os aposentados, vítimas reais do esquema, foram novamente humilhados.
Lula, o PT e sua tropa de choque mostraram, mais uma vez, qual é a verdadeira prioridade: quando a investigação ameaça a família e os aliados, a verdade e a defesa dos pobres ficam em segundo plano. O roubo bilionário contra os aposentados foi escandaloso, mas a forma como foi protegido pelo Palácio do Planalto foi ainda pior.