
Publicado em 16 de Março de 2026
É tragicômico como, no Brasil, o século XXI é o período em que o discurso público de partidos e políticos tem girado em torno da moralização das instituições e, paradoxalmente, tem sido o período de institucionalização do crime no país. A perseguição ao cidadão comum, somada à desmoralização das instituições e à falta de confiança generalizada na classe política, gera na população o desejo por um novo modelo de governança da sociedade que promova essa moralização prometida.
Agostinho de Hipona dizia que a cidade de Deus era fruto do amor e da abnegação, enquanto a cidade dos homens era fundada sobre o desejo de poder, riqueza e vã glória. Mas, quando políticos confabulam com as elites mundiais sobre como obter controle quase absoluto sobre a população, destruindo suas possibilidades de ter acesso aos bens de consumo mais básicos, estar-se-ia lidando com um projeto de cidade das trevas? Tal nível de maldade seria uma pretensão diabólica de projeto político: um modelo de pólis em que todo ser humano, para assumir sua cidadania, precisa rebaixar-se ao hedonismo das feras e, para participar ativamente das instituições, precisa imitar a maldade niilista dos demônios?
O ideário público da nova “civilização mundial”, que encomendada a escritórios de planejamento estratégico, vai se formando à vista de todos com ares inocentes de espontâneo fruto do progresso, constitui-se de um conjunto de exigências contraditórias, premeditadamente calculadas para rebaixar o nível de consciência das massas a um estado de apatetado puerilismo no qual estejam prontas a obedecer, com feroz entusiasmo, às mais estapafúrdias palavras de ordem.
Desde Pavlov, sabe-se que a mente submetida a um constante bombardeio de estimulações contraditórias se torna flácida, passiva, incapaz de reagir com inteligência e cada vez mais dócil a sugestões emocionais cristalizadas em símbolos, lugares-comuns e cacoetes verbais.
E seria injusto atribuir à imprensa o monopólio do uso dos instrumentos de dominação psicológica. Num dos livros mais impressionantes publicados sobre o tema, Maquiavel Pedagogo, Pascal Bernardin mostrou que técnicas desenvolvidas em laboratórios de psicologia para a manipulação de clientelas comerciais ou políticas se tornaram de uso disseminado na educação de crianças, sob o patrocínio de organismos internacionais interessados em implantar uma nova pedagogia cujo foco já não é o desenvolvimento cognitivo, mas a engenharia de comportamentos, destinada a moldar o perfeito cidadãozinho da democracia populista mundial.
A progressiva insensibilidade às contradições deprime o senso lógico a ponto de que a mente só aceita curvar-se à força da propaganda sumária, sentindo-se tanto mais livre quanto mais subjugada, e opõe a mais viva repulsa à discussão lógica, acusando-a, paradoxalmente, de “imposição autoritária”, de “manipulação retórica”, e opondo-lhe, como única forma de argumentação válida numa democracia, a repetição histérica de fórmulas pejorativas decoradas.
O cidadão ideal da cidade das trevas tem sua razão obscurecida pela engenharia social e sua vida esvaziada de sentido pelos vícios, controles burocráticos e miséria econômica planejada. A degradação moral da nação brasileira não é acidental, mas parte de um plano para dissolver a unidade do país entre burocracias corporativas e interesses globalistas.