
Publicado em 28 de Fevereiro de 2026
O maquiavelismo revolucionário camuflado de justiça social faz mal à saúde moral e ao debate público do país. No Brasil de hoje, onde o PT tornou-se parte do establishment e tem poder sobre quase todas as instituições da República, há quem ainda defenda que Lula não apenas quer tirar o Brasil da pobreza, mas está sendo impedido por forças de oposição que, após quase duas décadas de governo, ainda conseguem deter o ímpeto petista.
Esse discurso fraudulento e malicioso, que insinua que Lula está salvando da morte pela fome uma parte desassistida da população brasileira — note-se que Lula seria o único agente público dotado de poderes místicos, capaz de se importar e atender às demandas existenciais desse grupo de miseráveis brasileiros —, não só esconde o fato de que o petismo nada fez pelos pobres, mas, pelo contrário, é responsável por inúmeras mazelas que o país enfrenta.
Vê-se por que se diz que o atual esquerdismo brasileiro não é um fanatismo simples, mas um fanatismo de sociopatas: o simples fanático não chega ao desvario de proclamar que perseguição, crise institucional, violência generalizada e empobrecimento da população são causados pelos inimigos do partido, ou mesmo pelos inimigos da democracia.
Para tanto, é preciso que tenha sacrificado, no altar de sua fé, o último vestígio de discernimento moral. Fanatismo, por si, não implica dessensibilização moral; essa é, em contrapartida, a definição mesma da sociopatia.
Não se trata, evidentemente, de sociopatia individual e espontânea, mas coletiva e induzida. Milhões de brasileiros estão se deixando reduzir à completa obtusidade pela prostituição de seu senso ético a uma formidável mentira eleitoral. Um partido que, em seus planos estratégicos, se propõe implantar no país um regime narcoterrorista, mas, em sua propaganda, escamoteia esse dado essencial e vende uma imagem ideologicamente inócua de justiça social, está, com toda a evidência, introduzindo um grave desvio de foco nas discussões públicas.
Falando em nome dos mais altos propósitos sociais, usando de sua falsa identidade até mesmo como instrumento de chantagem psicológica para instilar sentimentos de culpa nos eleitores que votassem contra ele, o bem-sucedido discurso petista ficou muito abaixo, não digo das injunções superiores de uma ética de virtudes, mas das exigências mais comezinhas do Código de Defesa do Consumidor.
Mas o mais alucinante nem é o fato de que o petismo empobrece a população quando diz combater a pobreza, nem a instrumentalização desses altos ideais para fundamentar um projeto de poder: é o fato de que o petismo chegou ao poder através do crime e que seu poder hoje, após o profundo aparelhamento institucional, torna a defesa das instituições nacionais quase uma defesa de parte da quadrilha petista.
Nunca, na história psicológica deste país, uma estratégia tão visceralmente fraudulenta logrou colocar a seu serviço, mediante propaganda enganosa, os sentimentos mais nobres e elevados de tantos eleitores. Nunca aquilo que há de melhor na alma dos cidadãos foi tão maquiavelicamente usado, desvirtuado, prostituído.
Ainda que sob o pretexto de “salvar da fome”, não há improbidade administrativa que possa se comparar, na malignidade de seus efeitos profundos, a essa propositada deformação da inteligência moral de um povo. Não espanta, pois, que pessoas submetidas a tamanha deseducação acabem se estupidificando, incapazes de relacionar causa e efeito, de unir lé com cré, de compreender que os agentes que dizem redimir os pobres são justamente seus algozes.